Disseram-me um dia Rita põe-te em guarda
aviso-te, a vida é dura põe-te em guarda
cerra os dois punhos e andou põe-te em guarda
eu disse adeus à desdita
e lancei mãos à aventura
e ainda aqui está quem falou
Galguei caminhos de ferro (põe-te em guarda)
palmilhei ruas à fome (põe-te em guarda)
dormi em bancos à chuva (põe-te em guarda)
e a solidão não erre
se ao chamá-la o seu nome
me vai que nem uma luva
Andei com homens de faca (põe-te em guarda)
vivi com homens safados (põe-te em guarda)
morei com homens de briga (põe-te em guarda)
uns acabaram de maca
e outros ainda mais deitados
o coveiro que o diga
O coveiro que o diga
quantas vezes se apoiou na enxada
e o coração que o conte
quantas vezes já bateu p´ra nada
E um dia de tanto andar (põe-te em guarda)
eu vi-me exausta e exangue (põe-te em guarda)
entre um berço e um caixão (põe-te em guarda)
mas quem tratou de me amar
soube estancar o meu sangue
e soube erguer-me do chão
Veio a fama e veio a glória (põe-te em guarda)
passaram-me de ombro em ombro (põe-te em guarda)
encheram-me de flores o quarto (põe-te em guarda)
mas é sempre a mesma história
depois do primeiro assombro
logo o corpo fica farto
26.5.09
Sérgio Godinho
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Música Portuguesa,
Sérgio Godinho
21.5.09
Peggy Lee
Play the guitar, play it again,my Johnny
Maybe you're cold, but you're so warm inside
I was always a fool for my Johnny
For the one they call Johnny Guitar
Play it again Johnny Guitar
Wether you go, wether you stay, I love you
But if you're cruel, you can be kind I know
There was never a man like my Johnny
Like the one they call Johnny Guitar
Peggy Lee - Johnny Guitar (1954)
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Peggy Lee
20.5.09
17.5.09
The Song of the Earth

É um amor antigo. Inspirador. Descobri-o agora numa versão da Chicago Symphony Orchestra, com o poema apresentado em três línguas, incluindo o chinês: o poema original foi composto por Meng Haoran (孟浩然) e Wang Wei (王維) na Dinastia Tang (唐朝). A atracção pelo orientalismo atravessava Viena (e chegou até nós: lembram-se de O Mandarim de Eça de Queirós?). Ponham o volume no máximo. Na verdade, podem esquecer o poema e imaginar sentidos próprios. todos os sentidos. cor odor sabor pele da terra, dos quatro elementos.
Gustav Mahler
Das Lied von der Erde (The Song of the Earth)
Final Movement - Der Abschied (The Farewell)
Performed by Yvonne Minton - Conducted by Sir Georg Solti with the Chicago Symphony Orchestra
Das Lied von der Erde (The Song of the Earth)
Final Movement - Der Abschied (The Farewell)
Performed by Yvonne Minton - Conducted by Sir Georg Solti with the Chicago Symphony Orchestra

Meng Haoran
Staying at Teacher’s Mountain Retreat, Awaiting a Friend in Vain
Dusk sun passes the western peak
Valleys have suddenly darkened
moon above pine trees chills the night
wind, brook, filled with clear sound
woodcutters are almost all home
birds, in mist, are roosting
The man expected to stay the night has not yet come
lonely lute awaits at rattan trail
Wang Wei
Farewell
Dismount horse, drink your wine
Ask you: "Where to?"
You say: "At odds with the world
Return to rest by the South Hill."
Please go. Ask no more.
Endless, the white clouds.
Wang Wei
Farewell in the Mountain
Bid each other farewell in the mountain
Closing wooden gate at dusk
Spring grass green again next year*
Will the honored friend return?
[... e como as traduções do poema evoluíram]
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Mahler,
Música Clássica
12.5.09
Rui Reininho & Companhia das Índias
Podia ser um filme, este disco. Mas difícil seria arrumá-lo num género: tem drama e comédia, tem acção e aventura, tem diálogos de primeira água, tem uma luz para cada cena, ora natural e crua, ora carregada de filtros e neons. Tem, às vezes, um ambiente de “film-noir”. E até consegue ter pedaços generosos de “biopic”, ou não fosse centrado na vida, nos impulsos e nas ideias do “actor principal”. Mas, se preferirem, vejam-no como um espectáculo de circo: os malabarismos são mais do que muitos, as forças combinadas são poderosas, há contorcionismo e feras à solta, à espera de um domador, há tempo para o trapézio voador, há – evidentemente – um intrincado número de magia. Só não há palhaços.
João Gobern
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Música Portuguesa,
Rui Reininho
11.5.09
1.5.09
Balada de Outono em Maio
Em 29 de Janeiro de 1983 realiza-se o espectáculo no Coliseu com José Afonso já doente. Participam Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e Janita Salomé. Mais tarde foi publicado o duplo álbum Ao Vivo no Coliseu. A contribuir para os aplausos, muito emocionada, estava eu. Era uma garina. Quase que me custa ver este vídeo. A minha forma de celebrar o 1 de Maio. e sim, também me lembro do primeiro 1 de Maio que se celebrou depois do 25 de Abril. às cavalitas do meu pai, na Av. dos Aliados no Porto. Nunca tinha visto tanta gente!
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Zeca Afonso
27.4.09
Un tour dans le monde de la nouvelle chanson française
Dolores, deixo-te uma amostra. Quase ninguém os conhece por cá. A chanson française perdeu todas as chances nesta era das indústrias culturais. Beh tampis...
ALAIN BASHUNG - Osez Joséphine
BÉNABAR - Psychopathe
FLORENT PAGNY - Ma liberté de penser
ISABELLE BOULAY - D'aventures en aventures
JACQUES HIGELIN - Tombé du Ciel
JULIEN CLERC - Ma préférence
LIANE FOLY - Doucement
MICHEL JONASZ - Super Nana
MIOSSEC - La Melancolie
WILLIAM SHELLER - Un Homme Heureux
ALAIN BASHUNG - Osez Joséphine
BÉNABAR - Psychopathe
FLORENT PAGNY - Ma liberté de penser
ISABELLE BOULAY - D'aventures en aventures
JACQUES HIGELIN - Tombé du Ciel
JULIEN CLERC - Ma préférence
LIANE FOLY - Doucement
MICHEL JONASZ - Super Nana
MIOSSEC - La Melancolie
WILLIAM SHELLER - Un Homme Heureux
25.4.09
15.4.09
12.4.09
Se Eu Quiser Falar Com Deus
ELIS REGINA À CAPELA
Composição: Gilberto Gil
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar
Composição: Gilberto Gil
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar
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Música Brasileira
Sobre todas as coisas
Composição: Chico Burque
Interpretação: Zizi Possi e Maria Rita
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado pra adorar o Criador
E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor
Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador
Ou será que o Deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
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Maria Rita,
Música Brasileira,
Zizi Possi
10.4.09
I dont know how to love him
I don't know how to love him.
What to do, how to move him.
I've been changed, yes really changed.
In these past few days, when I've seen myself,
I seem like someone else.
I don't know how to take this.
I don't see why he moves me.
He's a man. He's just a man.
And I've had so many men before,
In very many ways,
He's just one more.
Should I bring him down?
Should I scream and shout?
Should I speak of love,
Let my feelings out?
I never thought I'd come to this.
What's it all about?
Don't you think it's rather funny,
I should be in this position.
I'm the one who's always been
So calm, so cool, no lover's fool,
Running every show.
He scares me so.
I never thought I'd come to this.
What's it all about?
Yet, if he said he loved me,
I'd be lost. I'd be frightened.
I couldn't cope, just couldn't cope.
I'd turn my head. I'd back away.
I wouldn't want to know.
He scares me so.
I want him so.
I love him so.
Texto de Tim Rice para a ópera rock de Andrew Lloyd Webber, Jesus Christ Superstar. Aqui, interpretação de Sinead O'Connor.
5.4.09
Trash Yéyé

Este Biolay que não se ouve por cá... e é tão bom... Dele dizem que é o novo Gainsbourg. Je ne cherche pas de vous convencre. Écoutez...jusqu'au bout.
Benjamin Biolay - Dans la Merco Benz
Benjamin Biolay - Dans la Merco Benz
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Benjamin Biolay,
Música Francesa
30.3.09
Maurice Jarre 1924-2009
A primeira banda sonora que compôs foi para o documentário «Hotel des Invalides» de Georges Franju, em 1952. Depois, foram mais de 160, até «I Dreamed of Africa» em 2000. Algumas das suas composições ficaram-nos no ouvido para sempre. Há muito tempo que Maurice Jarre se eternizou...
Maurice Jarre dirigindo a Royal Philharmonic Orchestra em "Lawrence Of Arabia" (1962) - Um tributo a Sir David Lean, 1992
Maurice Jarre, mesmo evento. Tema: "Doutor Jivago" (1965)
Maurice Jarre, mesmo evento. Tema: "Passagem para a Índia" (1984)
[Imagem: Le Figaro,30-03-09]
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Maurice Jarre
29.3.09
Pedaço de mim

Eu devia ter uns dezasseis anos quando ouvi esta canção. Ainda me impressiona... Para ouvir até ao fim, cantando com eles, baixinho.
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Chico Buarque,
Música Brasileira,
Zizi Possi
21.3.09
A poesia é uma arma carregada de futuro
Cuando ya nada se espera personalmente exaltante,
más se palpita y se sigue más acá de la consciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmando,
como un pulso que golpea las tinieblas,
que golpea las tinieblas.
Cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades;
las bárbaras, terribles, amorosas crueldades,
amorosas crueldades.
Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto
para ser y tanto somos, dar un sí que glorifica,
dar un sí que glorifica.
Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno,
Estamos tocando el fondo,
estamos tocando el fondo.
Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural para los neutrales
que lavándose las manos, se desentienden y evaden.
Maldigo la poesía de quien no ha tomado partido,
partido hasta mancharse.
Hago mías las faltas.
Siento en mi a cuantos sufren y canto respirando.
Canto y canto y cantando más allá de mis penas
de mis penas personales,
me ensancho, me ensancho.
(...)
No es una poesía gota a gota pensada,
No es un bello producto. No es un fruto perfecto
es lo más necesario: lo que no tiene nombre.
Son gritos en el cielo, y en la tierra son actos.
Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejen
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno
Estamos tocando el fondo,
Seguimos tocando el fondo!
Poesia: Gabriel Celaya
Interpretação: Paco Ibáñez
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