21.5.09

Peggy Lee



Play the guitar, play it again,my Johnny
Maybe you're cold, but you're so warm inside
I was always a fool for my Johnny
For the one they call Johnny Guitar

Play it again Johnny Guitar

Wether you go, wether you stay, I love you
But if you're cruel, you can be kind I know
There was never a man like my Johnny
Like the one they call Johnny Guitar

Peggy Lee - Johnny Guitar (1954)

17.5.09

The Song of the Earth


É um amor antigo. Inspirador. Descobri-o agora numa versão da Chicago Symphony Orchestra, com o poema apresentado em três línguas, incluindo o chinês: o poema original foi composto por Meng Haoran (孟浩然) e Wang Wei (王維) na Dinastia Tang (唐朝). A atracção pelo orientalismo atravessava Viena (e chegou até nós: lembram-se de O Mandarim de Eça de Queirós?). Ponham o volume no máximo. Na verdade, podem esquecer o poema e imaginar sentidos próprios. todos os sentidos. cor odor sabor pele da terra, dos quatro elementos.




Gustav Mahler
Das Lied von der Erde (The Song of the Earth)
Final Movement - Der Abschied (The Farewell)

Performed by Yvonne Minton - Conducted by Sir Georg Solti with the Chicago Symphony Orchestra


Meng Haoran
Staying at Teacher’s Mountain Retreat, Awaiting a Friend in Vain

Dusk sun passes the western peak
Valleys have suddenly darkened
moon above pine trees chills the night
wind, brook, filled with clear sound
woodcutters are almost all home
birds, in mist, are roosting
The man expected to stay the night has not yet come
lonely lute awaits at rattan trail

Wang Wei
Farewell

Dismount horse, drink your wine
Ask you: "Where to?"
You say: "At odds with the world
Return to rest by the South Hill."
Please go. Ask no more.
Endless, the white clouds.

Wang Wei
Farewell in the Mountain

Bid each other farewell in the mountain
Closing wooden gate at dusk
Spring grass green again next year*
Will the honored friend return?

[... e como as traduções do poema evoluíram]

12.5.09

Menina da Ria. Obrigada, Caetano!

Rui Reininho & Companhia das Índias

Dia 12 Maio - 21H30 - Teatro Aveirense

Podia ser um filme, este disco. Mas difícil seria arrumá-lo num género: tem drama e comédia, tem acção e aventura, tem diálogos de primeira água, tem uma luz para cada cena, ora natural e crua, ora carregada de filtros e neons. Tem, às vezes, um ambiente de “film-noir”. E até consegue ter pedaços generosos de “biopic”, ou não fosse centrado na vida, nos impulsos e nas ideias do “actor principal”. Mas, se preferirem, vejam-no como um espectáculo de circo: os malabarismos são mais do que muitos, as forças combinadas são poderosas, há contorcionismo e feras à solta, à espera de um domador, há tempo para o trapézio voador, há – evidentemente – um intrincado número de magia. Só não há palhaços.

João Gobern

1.5.09

Balada de Outono em Maio



Em 29 de Janeiro de 1983 realiza-se o espectáculo no Coliseu com José Afonso já doente. Participam Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e Janita Salomé. Mais tarde foi publicado o duplo álbum Ao Vivo no Coliseu. A contribuir para os aplausos, muito emocionada, estava eu. Era uma garina. Quase que me custa ver este vídeo. A minha forma de celebrar o 1 de Maio. e sim, também me lembro do primeiro 1 de Maio que se celebrou depois do 25 de Abril. às cavalitas do meu pai, na Av. dos Aliados no Porto. Nunca tinha visto tanta gente!

27.4.09

Un tour dans le monde de la nouvelle chanson française

Dolores, deixo-te uma amostra. Quase ninguém os conhece por cá. A chanson française perdeu todas as chances nesta era das indústrias culturais. Beh tampis...


ALAIN BASHUNG - Osez Joséphine



BÉNABAR - Psychopathe


FLORENT PAGNY - Ma liberté de penser


ISABELLE BOULAY - D'aventures en aventures


JACQUES HIGELIN - Tombé du Ciel


JULIEN CLERC - Ma préférence


LIANE FOLY - Doucement


MICHEL JONASZ - Super Nana


MIOSSEC - La Melancolie


WILLIAM SHELLER - Un Homme Heureux

12.4.09

Se Eu Quiser Falar Com Deus

ELIS REGINA À CAPELA

Composição: Gilberto Gil

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

Sobre todas as coisas


Composição: Chico Burque
Interpretação: Zizi Possi e Maria Rita


Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus

Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado pra adorar o Criador

E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor

Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador

Ou será que o Deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus

10.4.09

I dont know how to love him



I don't know how to love him.
What to do, how to move him.
I've been changed, yes really changed.
In these past few days, when I've seen myself,
I seem like someone else.
I don't know how to take this.
I don't see why he moves me.
He's a man. He's just a man.
And I've had so many men before,
In very many ways,
He's just one more.
Should I bring him down?
Should I scream and shout?
Should I speak of love,
Let my feelings out?
I never thought I'd come to this.
What's it all about?
Don't you think it's rather funny,
I should be in this position.
I'm the one who's always been
So calm, so cool, no lover's fool,
Running every show.
He scares me so.
I never thought I'd come to this.
What's it all about?
Yet, if he said he loved me,
I'd be lost. I'd be frightened.
I couldn't cope, just couldn't cope.
I'd turn my head. I'd back away.
I wouldn't want to know.
He scares me so.
I want him so.
I love him so.


Texto de Tim Rice para a ópera rock de Andrew Lloyd Webber, Jesus Christ Superstar. Aqui, interpretação de Sinead O'Connor.

5.4.09

Laisse Aboyer Les Chiens


BENJAMIN BIOLAY

Trash Yéyé


Este Biolay que não se ouve por cá... e é tão bom... Dele dizem que é o novo Gainsbourg. Je ne cherche pas de vous convencre. Écoutez...jusqu'au bout.

Benjamin Biolay - Dans la Merco Benz

30.3.09

Maurice Jarre 1924-2009

A primeira banda sonora que compôs foi para o documentário «Hotel des Invalides» de Georges Franju, em 1952. Depois, foram mais de 160, até «I Dreamed of Africa» em 2000. Algumas das suas composições ficaram-nos no ouvido para sempre. Há muito tempo que Maurice Jarre se eternizou...



Maurice Jarre dirigindo a Royal Philharmonic Orchestra em "Lawrence Of Arabia" (1962) - Um tributo a Sir David Lean, 1992



Maurice Jarre, mesmo evento. Tema: "Doutor Jivago" (1965)



Maurice Jarre, mesmo evento. Tema: "Passagem para a Índia" (1984)


[Imagem: Le Figaro,30-03-09]

29.3.09

Pedaço de mim


Eu devia ter uns dezasseis anos quando ouvi esta canção. Ainda me impressiona... Para ouvir até ao fim, cantando com eles, baixinho.

21.3.09

A poesia é uma arma carregada de futuro



Cuando ya nada se espera personalmente exaltante,
más se palpita y se sigue más acá de la consciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmando,
como un pulso que golpea las tinieblas,
que golpea las tinieblas.

Cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades;
las bárbaras, terribles, amorosas crueldades,
amorosas crueldades.

Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto
para ser y tanto somos, dar un sí que glorifica,
dar un sí que glorifica.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno,
Estamos tocando el fondo,
estamos tocando el fondo.

Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural para los neutrales
que lavándose las manos, se desentienden y evaden.
Maldigo la poesía de quien no ha tomado partido,
partido hasta mancharse.

Hago mías las faltas.
Siento en mi a cuantos sufren y canto respirando.
Canto y canto y cantando más allá de mis penas
de mis penas personales,
me ensancho, me ensancho.
(...)
No es una poesía gota a gota pensada,
No es un bello producto. No es un fruto perfecto
es lo más necesario: lo que no tiene nombre.
Son gritos en el cielo, y en la tierra son actos.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejen
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno
Estamos tocando el fondo,
Seguimos tocando el fondo!

Poesia: Gabriel Celaya
Interpretação:
Paco Ibáñez

17.3.09

Léo Ferré

LA SOLITUDE


Je suis d'un autre pays que le votre, d'un autre quartier, d'une autre solitude.
Je m'invente aujourd'hui des chemins de traverse.
Je ne suis plus de chez vous, j'attends des mutants.
Biologiquement je m'arrange avec l'idée que je me fais de la biologie: je pisse, j'éjacule, je pleure.
Il est de toute première instance que nous faconnions nos idées comme s'il s'agissait d'objets manufacturés.
Je suis pret à vous procurer les moules.
Mais, la solitude.
Les moules sont d'une texture nouvelle, je vous avertis.
Ils ont été coulés demain matin.
Si vous n'avez pas dès ce jour, le sentiment relatif de votre durée,
il est inutile de regarder devant vous car devant c'est derrière, la nuit c'est le jour.
Et la solitude.
Il est de toute première instance que les laveries automatiques, au coin des rues,
soient aussi imperturbables que les feux d'arret ou de voie libre.
Les flics du détersif vous indiqueront la case où il vous sera loisible de laver ce que vous croyez etre votre conscience et qui n'est qu'une dépendance de l'ordinateur neurophile qui vous sert de cerveau.
Et pourtant la solitude.
Le désespoir est une forme supérieure de la critique.
Pour le moment, nous l'appellerons "bonheur",
les mots que vous employez n'étant plus "les mots" mais une sorte de conduit à travers lequels, les analphabètes se font bonne conscience.
Mais la solitude.
Le Code civil nous en parlerons plus tard.
Pour le moment, je voudrais codifier l'incodifiable.
Je voudrais mesurer vos danaides démocraties.
Je voudrais m'insérer dans le vide absolu et devenir le non-dit,
le non-avenu, le non-vierge par manque de lucidité.
La lucidité se tient dans mon froc...

15.3.09

Le Chien

Recital de Léo Ferre. «Le Chien» rosnou pela primeira vez em 1970 (álbum Amour Anarchie). Ferré passa do verso à prosa livre e repensa a articulação entre música e texto. Ferré não canta, diz o texto. E, como Apollinaire, é obsceno. Transgride. No álbum original, há um rock psicadélico a acompanhar «Le Chien». A música vive autónoma. Para ouvir até ao fim, mesmo se não perceberem patavina de francês.



À mes oiseaux piaillant debout
Chinés sous les becs de la nuit
Avec leur crêpe de coutil
Et leur fourreau fleuri de trous
À mes compaings du pain rassis
À mes frangins de l'entre bise
À ceux qui gerçaient leur chemise
Au givre des pernods-minuit

A l'Araignée la toile au vent
A Biftec baron du homard
Et sa technique du caviar
Qui ressemblait à du hareng
A Bec d'Azur du pif comptant
Qui créchait côté de Sancerre
Sur les MIDNIGHT à moitié verre
Chez un bistre de ses clients

Aux spécialistes d'la scoumoune
Qui se sapaient de courants d'air
Et qui prenaient pour un steamer
La compagnie Blondit and Clowns
Aux pannes qui la langue au pas
En plein hiver mangeaient des nèfles
A ceux pour qui deux sous de trèfle
Ça valait une Craven A

A ceux-là je laisse la fleur
De mon désespoir en allé
Maintenant que je suis paré
Et que je vais chez le coiffeur
Pauvre mec mon pauvre Pierrot
Vois la lune qui te cafarde
Cette Américaine moucharde
Qu'ils ont vidée de ton pipeau

Ils t'ont pelé comme un mouton
Avec un ciseau à surtaxe
Progressivement contumax
Tu bêle à tout va la chanson
Et tu n'achètes plus que du vent
Encore que la nuit venue
Y a ta cavale dans la rue
Qui hennnit en te klaxonnant

Le Droit la Loi la Foi et Toi
Et une éponge de vin sur
Ton Beaujolais qui fait le mur
Et ta Pépée qui fait le toit
Et si vraiment Dieu existait
Comme le disait Bakounine
Ce Camarade Vitamine
Il faudrait s'en débarrasser

Tu traînes ton croco ridé
Cinquante berges dans les flancs
Et tes chiens qui mordent dedans
Le pot-au-rif de l'amitié
Un poète ça sent des pieds
On lave pas la poésie
Ça se défenestre et ça crie
Aux gens perdus des mots FERIES

Des mots oui des mots comme le Nouveau Monde
Des mots venus de l'autre côté clé la rive
Des mots tranquilles comme mon chien qui dort
Des mots chargés des lèvres constellées dans le dictionnaire des
constellations de mots
Et c'est le Bonnet Noir que nous mettrons sur le vocabulaire
Nous ferons un séminaire, particulier avec des grammairiens
particuliers aussi
Et chargés de mettre des perruques aux vieilles pouffiasses
Littéromanes

IL IMPORTE QUE LE MOT AMOUR soit rempli de mystère et non
de tabou, de péché, de vertu, de carnaval romain des draps cousus
dans le salace
Et dans l'objet de la policière voyance ou voyeurie
Nous mettrons de longs cheveux aux prêtres de la rue pour leur
apprendre à s'appeler dès lors monsieur l'abbé Rita Hayworth
monsieur l'abbé BB fricoti fricota et nous ferons des prières inversées
Et nous lancerons à la tête des gens des mots
SANS CULOTTE
SANS BANDE A CUL
Sans rien qui puisse jamais remettre en question
La vieille la très vieille et très ancienne et démodée querelle du
qu'en diront-ils
Et du je fais quand même mes cochoncetés en toute quiétude sous
prétexte qu'on m'a béni
Que j'ai signé chez monsieur le maire de mes deux mairies
ALORS QUE CES ENFANTS SONT TOUT SEULS DANS LES RUES
ET S'INVENTENT LA VRAIE GALAXIE DE L'AMOUR INSTANTANE
Alors que ces enfants dans la rue s'aiment et s'aimeront
Alors que cela est indéniable
Alors que cela est de toute évidence et de toute éternité
JE PARLE POUR DANS DIX SIECLES et je prends date
On peut me mettre en cabane
On peut me rire au nez ça dépend de quel rire
JE PROVOQUE-À L'AMOUR ET À L'INSURRECTION
YES! I AM UN IMMENSE PROVOCATEUR
Je vous l'ai dit

Des armes et des mots c'est pareil
Ça tue pareil
II faut tuer l'intelligence des mots anciens
Avec des mots tout relatifs, courbes, comme tu voudras

IL FAUT METTRE EUCLIDE DANS UNE POUBELLE

Mettez-vous le bien dans la courbure
C'est râpé vos trucs et manigances
Vos démocraties où il n'est pas question de monter à l'hôtel avec une fille
Si elle ne vous est pas collée par la jurisprudence
C'est râpé Messieurs de la Romance
Nous, nous sommes pour un langage auquel vous n'entravez que couic
NOUS SOMMES DES CHIENS et les chiens, quand ils sentent la compagnie,
Ils se dérangent et on leur fout la paix
Nous voulons la Paix des Chiens
Nous sommes des chiens de "bonne volonté"
El nous ne sommes pas contre le fait qu'on laisse venir à nous certaines chiennes
Puisqu'elles sont faites pour ça et pour nous

Nous aboyons avec des armes dans la gueule
Des armes blanches et noires comme des mots noirs et blancs
NOIRS COMME LA TERREUR QUE VOUS ASSUMEREZ
BLANCS COMME LA VIRGINITÉ QUE NOUS ASSUMONS
NOUS SOMMES DES CHIENS et les chiens, quand ils sentent la compagnie,
II se dérangent, ils se décolliérisent
Et posent leur os comme on pose sa cigarette quand on a quelque
chose d'urgent à faire

Même et de préférence si l'urgence contient l'idée de vous foutre
sur la margoulette
Je n'écris pas comme de Gaulle ou comme Perse l
JE CAUSE et je GUEULE comme un chien

JE SUIS UN CHIEN