18.1.09

Fado Moliceiro







Morro de amor pelas águas da ria
Esta espuma de dôr eu não sabia
Sou moliceiro do teu lodo fecundo
Sou a Ria de Aveiro, o sal do mundo

Vara comprida
Tamanho da vida
Braço de mar
A lavrar, a lavrar

Morro de amor nesta rede que teço
E é no sal do suor que eu aconteço
Para além da salina
O horizonte me ensina
Que há muito mar
Muito mar p'ra lavrar
P'ra lavrar


"Fado moliceiro" é um fado com poema de José Carlos Ary dos Santos e música de Carlos Paredes. Do ponto de vista musical é uma obra rara. É dos poucos temas que Carlos Paredes tem com letra e interpretação vocal. Em 1983, Carlos do Carmo publica "Um homem no país". A sétima faixa do disco corresponde a este "Fado moliceiro". O disco vem na sequência de "Um homem na cidade", sobre Lisboa, propondo este novo trabalho uma viagem por vários espaços de Portugal, falando das suas gentes, trabalhos, paisagens, maneiras de ser e falar. Por morte do poeta destes dois discos - José Carlos Ary dos Santos morreria um ano depois do lançamento do disco -, não pôde realizar-se o desejo de fazer um intitulado "Um Homem no mundo".


[Foto MRF]

28.12.08

Feliz Ano Novo!

João Noutel
Progress, 2007
Técnica mista sobre MDF
170 x 220 cm

21.12.08

Sol de Inverno

É uma das canções que mais gosto da bela Simone. e começar o Inverno com uma certa nostalgia não faz mal a ninguém.



Carlos Nóbrega e Sousa - Jerónimo Bragança

29.11.08

Cathy Berberian


Xango
Compositor: Heitor Villa Lobos

Satyagraha (Gandhi)

«Could an opera put virtue back on its feet or make us warriors for peace?”


Philip Glass: Satyagraha
Act 1 "Tolstoy"
Scene 1 "The Kuru Field of Justice" (início)
Scene 1"The Kuru Field of Justice" (excerto)
Scene 3 "The Vow" (excerto)
Staatsoper Stuttgart
Conductor: Dennis Russell Davis
Stage direction: Achim Freyer

17.11.08

Mariza

Barcelona
Foto MRF
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A Mariza actua no dia 19 no Palau de la Musica. A cidade soprava Mariza em todas as ruas.

30.10.08

Thalassa platia


Compositores: Manos Hadjidakis/Giorgos Roussos.
Intérprete:
Aliki Vougiouklaki
Do filme: "Mantalena" (1960)


Thalassa platia
(Deep And Silent Sea)

Deep and silent sea,
Close to you I feel protected
You are so like me
In your face I am reflected
Tell me what to do
For you know so well
My soul is restless too

Touching every shore
You belong to no one ever
Let the tempest roar
You remain and dwell forever
Secret are your ways
Do you wonder that I'd love you
All my days

You can be unkind
Where the children play
And you drown their castles in the tide
They don't seem to mind
For they run to you and
Their arms are open wide

Teach me to be free
To be sure and strong and sea-like
Deep and shining sea
You are what I long to be like
Let the world go by
I will love you till
The silent sea runs dry

13.10.08

Ritournelle de la Faim

«Les dernières mesures du Boléro sont tendues, violentes, presque insupportables. Cela monte, emplit la salle, maintenant le public tout entier est debout, regarde la scène où les danseurs tourbillonnent, accélèrent leur mouvement. Des gens crient, leurs voix sont couvertes par les coups de tam-tam. Ida Rubinstein, les danseurs sont des pantins, emportés par la folie. Les flûtes, les clarinettes, les cors, les trompettes, les saxos, les violons, les tambours, les cymbales, les timbales, tout sont ployés, tendus à se rompre, à s'étrangler, à briser leurs cordes et leurs voix, à briser l'égoïste silence du monde.

Ma mère, quand elle m'a raconté la première du Boléro, a dit son émotion, les cris, les bravos et les sifflets, le tumulte. Dans la même salle, quelque part, se trouvait un jeune homme qu'elle n'a jamais rencontré, Claude Lévi-Srauss. Comme lui, longtemps aprés, ma mère m'a confié que cette musique avait changé sa vie.


Maintenant, je comprends pourquoi. Je sais ce que signifiait pour sa génération cette phrase répétée, serinée, imposée par le rytme et le crescendo. Le Boléro n'est pas une pièce musical comme les autres. Il est une prophétie. Il raconte l'histoire d'une colère, d'une faim. Quand il s'achève dans la violence, le silence qui s'ensuit est terrible pour les survivants étourdis.»

in Ritournelle de la Faim, de Jean-Marie Gustave Le Clézio
Gallimard, 2008, pp. 206