21.4.08

DAMIEN RICE




I gave me away
I could have knocked off the evening
But I lonelily landed my waltz in her hands
In a way I felt you were leaving me
I was sure I wouldn't find you at home
And you let me down
You could have knocked off the evening
But you lonelily let him push under your bone
You let me down
It's no use deceiving
Neither of us wanna be alone

You're coming home, you're coming home

I gave me away
I could have knocked off the evening
But I was lonelily looking for someone to hold
In a way I lost all I believed in
And I never found myself so low
And you let me down
You could've called if you'd needed
But you lonelily got yourself locked in instead
And you let me down
It's one thing being cheated
But you took him all the way through your bed

And now you're coming home
And I'm trying to forgive
You're coming home
And I'm trying to forget
You're coming home
And I'm trying to move on
You're coming home
And you haven't called yet

You're coming home
And I'm trying to forgive
You're coming home
I'm just trying to forget
You're coming home
I'm trying to move on
You're coming home
But you haven't called
You're coming home

You're coming home, you're coming home

I gave me away
I could have knocked off the evening
But I lonelily loomed her into my bone
You let me down
There's no use deceiving
Neither of us wanna be alone

13.2.08


"Voilà ce qu'il faut faire" s'était alors dit Carlos Jobim, raconte Henri Salvador dans VSD. "Ralentir le tempo de la samba et mettre une jolie mélodie et de beaux accords dessus. Donc, je suis à l'origine de la bossa-nova sans l'avoir voulu."

(ler mais)

e como eu gostava dele...

Morreu Henri Salvador, mon jardin d´hiver.



[Esta é para ti]

1.2.08

El cementerio indio

Juan Luis Guerra - La Llave De Mi Corazon (2007)


Shakira - La Tortura (2006)


Alejandro Sanz - Tú no tienes alma (2005)


Alejandro Sanz - No es lo mismo (2004)


Juanes - Es Por Ti (2003)


Alejandro Sanz - Y Solo Se Me Ocurre Amarte (2002)


Alejandro Sanz - El Alma En Al Aire (2001)


Marc Anthony - Dímelo (I Need To Know) (2000)



Eis os "Grammy Latino de Canção do Ano" desde o ano 2000 (Marc Anthony) até 2007 (Juan Luis Guerra), passando por Sanz e Sanz e Sanz... Ontem, depois do Swing, o zapping ofereceu-me a Cerimónia de Entrega dos Prémios em Las Vegas (falada em espanhol, dobrada em inglês e legendada em português!). A versão latino-americana dos prémios Grammy é pior que as novelas mexicanas! Mas trágico mesmo é que o gosto musical a la Grammy Latino é um insulto à cultura ibero americana. Dónde esta el alma?

2.11.07

Youcali

Ou um post dedicado à Claudia Sousa Dias:



É quase no fim do mundo
Que meu barco errante
Vagueando pelas ondas
Me conduziu um dia
A ilha é pequena
Mas a fada que lá vive
Gentilmente nos convida
A um passeio por ali

Youkali
A terra dos desejos
Youkali
A alegria, o prazer
Youkali
É o lugar onde esquecemos os problemas
É em nossa noite como uma fresta de luz
A estrela que seguimos
É Youkali

Youkali
É a honra dos juramentos perdidos
Youkali
A terra do amor correspondido
É a esperança
Que há em todo coração humano
A libertação do que esperamos para o amanhã

Youkali
A terra de nossos desejos
Youkali
É alegria, é prazer
Mas é um sonho, uma insensatez
Não há
Youkali"

-Kurt Weill

Youkali é um "Tango Habanera" composto por Kurt Weill durante o seu exílio em França. Na verdade, Weill escrevera a música em 1934 (para a peça Marie Galante) e só em 1946 Roger Fernay criou esta letra. Música e poema invocam uma ilha paradisíaca e o desejo de fuga de uma Europa ameaçadora, em vias de entrar na II Guerra Mundial. Um ano depois de ter composto esta canção, Weill deixou a França em direcção aos EUA, escapando assim à perseguição nazi.

Rui Pedro - Andarilho

PANO CRU


BEBIANA


MALA REPUTATION



Rui Pedro fez a primeira parte do concerto de Lloyd Cole, em Aveiro.

Lloyd Cold

Ele cantou Jennifer She Said, mas senti falta dos Commotions. Ou seja, Lloyd Cole é exímio mas depois da quinta canção já sentimos um certo enfado (acho que usei uma palavra muito forte; vamos antes dizer, sonolência)(esqueçam, eu gostei)(há nele uma tal bonomia!)(preferia beber uns copos com ele, podia ser a Super Bock que tanto aprecia, e que ele fosse entrecortando a conversa com uma, duas canções)(o rapaz do vídeo de baixo pode continuar no vídeo)(o Lloyd Cole de hoje, com as duas guitarras, que ele próprio afina - o luxo do afinador profissional acabou há algum tempo - parece bem consigo mesmo)(cada vez menos popular, diz)(isso é o menos)(mas exige-se menos reserva num espectáculo intimista)(e variações de ritmo!)(a sério, fiquei com mais vontade. mais vontade de conversar do que de o ouvir cantar)(merda, mas ele é mesmo bom músico)(vão vê-lo e decidam, que eu não consigo desatar isto)

1.11.07

Lloyd Cole


Don't Look Back

O concerto é logo, logo, às 21:30h no Aveirense.

30.10.07

Ópera Três Vinténs

Ópera "Três Vinténs" de Kurt Weil

Orquestra Sinfonieta da Esmae. Direcção Musical - António Saiote.
Encenação - Marcos Barbosa.
Coro – Estúdio Ópera do Departamento de Comunicação e Artes da Universidade de Aveiro.
Co-produção – Fundação João Jacinto Magalhães e Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.

No Teatro Aveirense, hoje, às 21:30h.



Adenda: Depois desta ópera de Kurt Weil, e tendo já visto Orfeu nos Infernos, não tenho dúvidas de que vou manter-me fiel aos espectáculos da Classe de Canto da Universidade de Aveiro. A encenação de Marcos Barbosa é fiel à intenção original da criação de um novo teatro musical: os conceitos de ópera e de teatro aliam-se com humor e eficácia. A tradução e a integração da mesma (texto) na dinâmica da peça foram decisões inteligentes. Cómica, poética, grotesca, agridoce, cruel, irónica, ontem reconhecemos o espírito Brechtiano. O público aderiu. Culpa nossa, Bertolt Brecht está longe de estar obsoleto.

21.10.07

Espírito Nativo

Jacqueline Mercado é mexicana, Pumacayo Conde é peruano, Rui Meira e Ricardo Gouveia são portugueses. Os quatro sentem passion pela música ibero-americana. Pesquisaram e dominam as outras personagens que entram no espectáculo: a quena, a flauta de pâ, o charango, o quatro venezuelano, o bombo leguero, congas, bongôs, chajchas, o palo de agua, clavas e maracas. Chacareras e zambas argentinas, huayños das comunidades andinas, cúmbias da Colômbia, joropos da Venezuela, rancheras mexicanas, um continente de ritmos e palavras. Ontem ouvi muito mais que este repertório. Estabeleceram pontes. O folclore português e o uruguaio, Victor Jara e Zeca Afonso, por exemplo.
Jacqueline e Rui Meira são ainda dotados de uma voz belíssima, caliente, portentosa. E têm alma.
O grupo chama-se Espírito Nativo (bom site) e pude ouvi-los no Cine Teatro de Estarreja. O público apreciou mas eram poucos os verdadeiros aficionados. A América Latina é um continente em via de descoberta e de reinvenção, mas é preciso navegar, pá. Do outro lado do mar não existe apenas o grande Brasil. O projecto ganha mais sentido por isso mesmo. A multiculturalidade assumida torna-os ímpares.
Atentem aos futuros concertos, procurem-nos. Deixaram-me uma fotografia de um espectáculo no Palácio Foz com os contactos escritos:
Tel: 966 555 809/966 497 225
espiritonativo@espiritonativo.com

Eu gostaria de os ouver mais por aí.

19.10.07

BS #11 Claude Nougaro

O seu mentor foi Georges Brassens. Foi poeta, pintor-desenhador, cantor de cabaret. Tornou-se um músico fantástico. mais um que Portugal não importou em vida: Claude Nougaro (aproveitem para ver no site a «ficção musical») (1929-2004).

TOULOUSE


TU VERRAS


ARMSTRONG


CINEMA

BS #10 Henri Salvador

Ele tem mais de 90 anos. Conheci-o quando vivia em França. De si próprio diz que inventou a Bossa Nova, porque influenciou João Gilberto, Jobim, Vinicius, de quem se tornou amigo nas suas andanças pelo Brasil há muitas décadas atrás. Ele era um francês da Guiana, trazia consigo essa mistura de influências, um dom para o jazz, uma forma de cantar baixinho, de quem parece que conversa, letras simples. Ri-se muito. As gargalhadas são sonoras, abertas, nada parecidas com as melodias que sussurra, que arrasta de forma tão sensual. Gosto dele. Por cá, poucos o conhecem. A língua francesa arrepia público. É pena. A língua francesa é como as longas caminhadas pelo meio de áleas. Já não se usam, o presente elegeu o jogging. Pena que se abandonem bons velhos hábitos sem pensar. A avidez pela novidade elimina demasiadas coisas saborosas. Henri Salvador é saboroso. muito saboroso. O seu canto é estranho familiar. Isso devia chegar.
Chambre Avec Vue, Perfomances (que inclui
Jardin d'Hiver), Ma chère est Tendre, Révérences são os últimos álbuns. Álbuns de 2000, 2002, 2003 e 2006. Henri tem quase cem anos. Jacqueline Garabedian esteve a seu lado durante vinte e seis anos. Henri ri e chora muito também. Quando o ouvimos cantar Avec le Temps (de Léo Ferré) pensamos na morte de Jacqueline e em todas as "nossas" mortes. Petit Fleur/Bonjour Sourire é assim uma coisa quase coquette, não é o Henri Salvador que ouço normalmente. Mas (também) faz parte da sua longa história.



HENRI SALVADOR


Si les fleurs
Qui bordent les chemins
Se fanaient toutes demain
Je garderais au cœur

Celle qui
S'allumait dans tes yeux
Lorsque je t'aimais tant
Au pays merveilleux
De nos seize printemps
Petite fleur d'amour
Tu fleuriras toujours
Pour moi

Quand la vie
Par moment me trahit
Tu restes mon bonheur
Petite fleur

Sur mes vingt ans
Je m'arrête un moment
Pour respirer
Ce parfum que j'ai tant aimé

Dans mon cœur
Tu fleuriras toujours
Au grand jardin d'amour
Petite fleur...

Dans mon cœur
Tu fleuriras toujours
Au grand jardin d'amour
Petite fleur...

[Foto: Henri Salvador et Annie Cordy em Bonjour Sourire de Claude Sautet, 1955]

7.10.07

LA FOULE

HIGELIN ET AGNES JAOUI

BS #9

Boris Vian tinha apenas trinta e nove anos quando morreu (1920-1959) mas teve tempo para ser, em simultâneo, engenheiro, inventor, músico e crítico de jazz, poeta, romancista, cenarista, tradutor, cronista, actor e intérprete das suas próprias canções. Receios?

"- E se, à ida, nos enganamos no caminho?
- Que mal faz? À vinda também o senhor se perde, e pronto."

in Boris Vian, O Outono em Pequim
Dom Quixote, 1989, pp. 65



LA JAVA DES BOMBES ATOMIQUES

Letra: Boris Vian. Música: Alain Goraguer 1955

Mon oncle un fameux bricoleur
Faisait en amateur
Des bombes atomiques
Sans avoir jamais rien appris
C'était un vrai génie
Question travaux pratiques
Il s'enfermait tout' la journée
Au fond d'son atelier
Pour fair' des expériences
Et le soir il rentrait chez nous
Et nous mettait en trans'
En nous racontant tout

Pour fabriquer une bombe " A "
Mes enfants croyez-moi
C'est vraiment de la tarte
La question du détonateur
S'résout en un quart d'heur'
C'est de cell's qu'on écarte
En c'qui concerne la bombe " H "
C'est pas beaucoup plus vach'
Mais un' chos' me tourmente
C'est qu'cell's de ma fabrication
N'ont qu'un rayon d'action
De trois mètres cinquante
Y a quéqu'chos' qui cloch' là-d'dans
J'y retourne immédiat'ment

Il a bossé pendant des jours
Tâchant avec amour
D'améliorer l'modèle
Quand il déjeunait avec nous
Il avalait d'un coup
Sa soupe au vermicelle
On voyait à son air féroce
Qu'il tombait sur un os
Mais on n'osait rien dire
Et pis un soir pendant l'repas
V'là tonton qui soupir'
Et qui s'écrie comm' ça

A mesur' que je deviens vieux
Je m'en aperçois mieux
J'ai le cerveau qui flanche
Soyons sérieux disons le mot
C'est même plus un cerveau
C'est comm' de la sauce blanche
Voilà des mois et des années
Que j'essaye d'augmenter
La portée de ma bombe
Et je n'me suis pas rendu compt'
Que la seul' chos' qui compt'
C'est l'endroit où s'qu'ell' tombe
Y a quéqu'chose qui cloch' là-d'dans,
J'y retourne immédiat'ment

Sachant proche le résultat
Tous les grands chefs d'Etat
Lui ont rendu visite
Il les reçut et s'excusa
De ce que sa cagna
Etait aussi petite
Mais sitôt qu'ils sont tous entrés
Il les a enfermés
En disant soyez sages
Et, quand la bombe a explosé
De tous ces personnages
Il n'en est rien resté

Tonton devant ce résultat
Ne se dégonfla pas
Et joua les andouilles
Au Tribunal on l'a traîné
Et devant les jurés
Le voilà qui bafouille
Messieurs c'est un hasard affreux
Mais je jur' devant Dieu
En mon âme et conscience
Qu'en détruisant tous ces tordus
Je suis bien convaincu
D'avoir servi la France
On était dans l'embarras
Alors on l'condamna
Et puis on l'amnistia
Et l'pays reconnaissant
L'élu immédiat'ment
Chef du gouvernement



JE BOIS

Letra: Boris Vian. Música: Alain Goraguer 1955

Je bois
Systématiquement
Pour oublier les amis de ma femme
Je bois
Systématiquement
Pour oublier tous mes emmerdements

Je bois
N'importe quel jaja
Pourvu qu'il fasse ses douze degrés cinque
Je bois
La pire des vinasses
C'est dégueulasse, mais ça fait passer l'temps

La vie est-elle tell'ment marrante
La vie est-elle tell'ment vivante
Je pose ces deux questions
La vie vaut-elle d'être vécue
L'amour vaut-il qu'on soit cocu
Je pose ces deux questions
Auxquelles personne ne répond... et

Je bois
Systématiquement
Pour oublier le prochain jour du terme
Je bois
Systématiquement
Pour oublier que je n'ai plus vingt ans

Je bois
Dès que j'ai des loisirs
Pour être saoul, pour ne plus voir ma gueule
Je bois
Sans y prendre plaisir
Pour pas me dire qu'il faudrait en finir...