Recordar o espectáculo na Casa da Música e como a plateia se amotinou para dançar les chansons rai. Ou Khaled no camarim envidraçado e suas Didi na praça a chamar por ele. Khaled!!!!
«The Windows of the World era o nome do restaurante situado no 107° piso da Torre Norte do WTC. Estavam 171 pessoas nesse restaurante (incl. 72 empregados) no momento do choque do Boeing. The Windows of the World é também o título de uma canção de Burt Bacharach e Hal David, interpretada por Dionne Warwick em 1967. A canção foi escrita contra a guerra no Vietname mas a mensagem ainda é válida e sê-lo-á durante muito tempo.» (ver aqui o Post de 2005)
The windows of the world are covered with rain, Where is the sunshine we once knew? Everybody knows when little children play They need a sunny day to grow straight and tall. Let the sun shine through.
The windows of the world are covered with rain, When will those black skies turn to blue? Everybody knows when boys grow into men They start to wonder when their country will call. Let the sun shine through.
Subo ao sono Os seus degraus são sete Tu estás no sono Elegia daquelas que partem E um ícone de reprovação
Subo ao sono Os seus degraus são sete Exactamente
E nada acontece Ou termina! Acendo a luz Para que os mortos vejam o sono.
Ghassan Zaqtan in O Estado do Mundo Fundação Calouste Gulbenkian/Tinta da China 2007, pp. 66
Acendam a luz por Pavarotti, falecido hoje. Acendam a luz por Eduardo Prado Coelho - cujas crónicas lia raramente sabe-se lá porquê, mas que me ofereceu «Os Universos da Crítica» aos vinte anos e deu vida neste país à figura de uma ciência que nunca deixou de me fascinar, a semiologia. Acendam a luz por Ingmar Bergman que, com «O Sétimo Selo», me fez acreditar na morte como um deus. um dia conto-vos. Acendam a luz por Antonioni que engrandeceu, blow-up, Vanessa Redgrave, um beijo, um parque e uma morte, fundindo ilusão e realidade. Façam-no também por Francisco Umbral que me disse «(E) como eram as ligas de Madame Bovary». Acendam a luz pelos 14 civis mortos na madrugada de hoje num bairro de Bagdad, enquanto dormiam, na sequência de um ataque aéreo americano. Todos desaparecidos enquanto tomava banhos de sol e de mundo ou me arranjava para o trabalho, distraída a viver. Para que vejam o seu sono, e nós o nosso. Mesmo que nada aconteça, ou termine.
Em direcção ao Norte, parar aqui para ouvi-lo cantar o que nunca se esqueceu. A voz e as palavras, com célticos e lusos re-arranjos. Tão bom!
Sérgio Godinho esteve ontem na Feira da Luz em Montemor-O-Novo.
Hoje será a vez de Pedro Abrunhosa. Numa festa onde há um pouco de tudo: concursos de mel e desporto aventura, concurso de ovinos merino preto precoce ou de bovinos de raça charolesa e torneios de malha, concursos de rafeiros do Alentejo e concursos de pesca à linha, hipismo (nunca vi tantos puros lusitanos juntos!) e cicloturismo, largadas de touros e novilhadas, teatro e exposições ("em Lino gravura sobre a história “A Maior Flor do Mundo” – de José Saramago"; "brinquedos que atravessam o tempo"), oficina de crianças, carrósseis, insufláveis, tiro ao alvo, algodão doce, e uma feira de agrícola (gado, tractores, manjedouras...) e de artesanato. Mas isto não é tudo..., comem-se as melhores costeletas do mundo no restaurante Importante!
Depois do ameno Allgarve, soube bem este banho de lusas tradições!
Passear pela Costa Norte da Jamaica, na província de Saint Ann, atravessando colinas verdejantes, selvagens, por estradas estreitas de terra e restos de asfalto, até à aldeia natal de Bob Marley, Nine Miles. Aqui, onde Bob Marley viveu até aos 13 anos. Depois da morte do pai, um militar inglês, a família mudou-se para a capital, Kingston. Agora todos regressaram às origens. A mãe, Cedella, ainda é viva, festejou 91 anos há duas semanas. Vive ali mesmo, na casa-terreiro onde filho e mais família estão sepultados, como de resto é costume na Jamaica. Vemos campas nos fundos dos jardins. Os mortos continuam vivos. Bob parece vivo. O tio, aquele que lhe ofereceu a primeira guitarra, vem receber-nos, e canta também. Muitos Rasta circulam no lugar. O túmulo de Bob Marley é um pequeno santuário Rastafarian. Devemos descalçar-nos. No photos, please. Apenas nos jardins e na casa à qual voltava sempre quando precisava de descansar. O quarto simples, a cama single, continuam ali. Teve dezanove filhos mas em Nine Miles dormia só. E a sua pedra. A pedra onde pousava a cabeça buscando inspiração. Podemos tocá-la ou adormecer recostados. O túmulo é que é sagrado. Um bloco de mármore imenso numa sala mínima. Muitas imagens de Bob. Um busto sobre uma mesa à entrada. O guia Rasta fala-nos da ligação de Bob àquele lugar, a Zion, a montanha, Iron like a lion in zion... e todo o culto actual explora as suas convicções religiosas em detrimento das suas posições políticas. Quanto à marijuana, que ajudava Bob a entrar em comunhão com o mundo, continua a ser cultivada e oferecida a todos os viajantes. Mesmo se o consumo é ilegal no país (os polícias fecham os olhos e até dão umas passas). E enfim, não é propriamente oferecida. Na Jamaica tudo se paga, de preferência em dólares americanos. De resto, esse é o maior desencanto. Os herdeiros de Bob Marley fazem fortuna a olhos vistos, One Love One Heart Tipe Everyone And Feel Alright. Uma forma de ostentação da riqueza é o implante de dentes de ouro. A família de Marley tem vários. Alguns adolescentes jamaicanos alojados no hotel também... Mas o que se vê mais na Jamaica é pobreza.
O país explora até à exaustão a herança deixada por Bob Marley. Artesanato, pintura, t-shirts usam o rei do reggae como símbolo e marca da Jamaica. Existem vários museus. Visitei o de Ocho Rios. Chama-se Reggae Explosion, tem formato pop, e só é interessante porque reporta a influência de Marley noutros músicos. See the photos. It's free.
Comprei o álbum Toward The Within (e Spirit Chaser, e Into The Labyrinth, enfim, tudo o que encontrei) e tenho andado a viajar pelo mundo com estes australianos. mesmo se uma imensa tristeza me invade de tempos a tempos...
1. Quando andávamos na universidade, depois de beber uns copos a mais, eu e a minha amiga G. fazíamos muitas vezes um show musical com um alinhamento muito especial. Constava sempre uma canção das Doce, Amanhã Demanhã, que cantávamos com um acentuado sotaque do norte. "Feicha a puorta, apaga as luzis, bem deitar-te a moeu lado/Dá-me um bueijo e o meu deseijo vai ficar acuordado". Ela era de Braga, e as duas, nortenhas (mesmo sem ser de gema), não tínhamos nenhuma dificuldade em dar um tom muito natural à pronúncia. Junto dos lisboetas da Universidade Nova (que por acaso eram poucos) e do Bairro Alto tivémos algum sucesso.
2. Passados vinte anos, não queria acreditar quando comecei a ouvir as minhas filhas cantar esta canção. Esta e outras das Doce, tipo "Uma da manhã, Hei"! As letras não se adequam muito a meninas de 6/7 anos, certo? Mas não havia nada a fazer. A Docemania tinha chegado cá a casa! Surpresa: quando fizeram anos, receberam o CD!
3. Agora que elas estão de férias, há sempre um momento do dia em que Amanhã Demanhã ecoa pela casa. Como elas sabem que esta é "a música da mamã e da madrinha G.", até aumentam o volume!
4. Dei por mim no duche a inventar versões diferentes desta canção. É difícil expressar-vos a emoção da descoberta, mas esta letra dá para tudo! Comecei com um swing: "Fe-cha-a-por-ta apa-ga a luUuUuUuUz". A versão cabaret alemão também fica bem, mas como não posso dançar para vocês, não sei se consigo convencer-vos. Como modinha brasileira é um mimo: "Fêche a porta, apague a luz, vem deitarrr-te a meu ladu". Enfim, demorei um tempão no duche, o que é pouco ecológico, mas saí de lá com a alma lavada. E concluí que a melhor versão é a da balada à Jorge Palma, mesmo se o estilo Madredeus também não fica nada mal. Deixo-vos a letra, decidam.
Fecha a porta, apaga as luzes Vem deitar-te a meu lado Dá-me um beijo e o meu desejo Vai ficar acordado
Vem amor, a noite é uma criança E depois quem ama por gosto não cansa Amanhã de manhã
REFRÃO: Vamos acordar e ficar a ouvir A rádio no ar, a chuva a cair Eu vou-te abraçar e prender-te então No corpo que é teu, na cama, no chão Os nossos lençóis e a colcha de lã Eu vou-te abraçar amanhã de manhã
Fecha os olhos, esquece o tempo Nesta noite sem fim Abre os braços, acende um beijo Fica dentro de mim
Vem amor, a noite é uma criança E depois quem ama por gosto não cansa Amanhã de manhã
Quem descobriu a pérola foi o grande Bino. Diz ele, e com razão, que o genérico de abertura do "Diz que é uma espécie de Magazine" teria ficado com mais pinta se baseado nesta cena genial... Gumnaam(1965) - Directed by Raja Nawathe. Jaan Pehechaan Ho - Composed by Mohammed Rafi. According to its overenthusiastic trailer, Gumnaam (means "lost one") was "India's first suspense thriller". One of its musical numbers was used as the opening credits of the well-regarded indie film Ghost World.