13.7.06

Mercedes Sosa

(re)Lembrar...

  • fragmento de entrevista
  • canção: zamba de los mineros


  • Vozes Femininas

    Lila Downs vai estar no Porto a 18 de Julho e em Lisboa, na Aula Magna, no dia seguinte. Uma boa razão para tirar do baú um antigo post. ou dois.


    Lila Downs

    A primeira vez que ouvi Mercedes Sosa ficou para sempre. O mais forte não terá sido então aquele poema Gracias a la Vida nem o som grave e índio que parecia chegar das profundezas da Cordilheira dos Andes. Não, o que me tocou foi o silêncio cheio de lágrimas da Consuelo. Essa amiga dos 20 anos, columbiana, quase exilada, e que tinha uma beleza prima da de Lila Downs. Contava histórias que pareciam vindas dos romances de Gabriel Garcia Márquez, cheias de heróis que sobreviviam a terramotos e a armas e conservavam a pureza. Havia uma de um músico que arriscara várias vezes a vida pelo seu violino. Fiquei assim, observando e respeitando as lágrimas de Consuelo, que pareciam querer dizer "esta é a minha identidade" e estou longe, sinto saudades.
    Passaram-se longos meses até esbarrar num álbum de Mercedes Sosa. Pensei que tinha de o levar para casa pela Consuelo. Mas, no meu silêncio, encontrei outras razões para nunca mais deixar de a ouvir. Mercedes conseguiu juntar as melhores influências e os melhores letristas-compositores daquele continente (Nicolas Brizuela, Victor Herédia, Silvio Rodrigues, Milton Nascimento, Chico Buarque, entre tantos outros). Um dos meus sonhos é ouvi-la ao vivo um dia. Quando passou por Portugal - deu um concerto na Aula Magna, eu vivia em França. Lembro-me de que nessa ocasião foi ao programa do Herman José. Eu via os canais portugueses e quis bater em alguém. Ele não conhecia a grandeza da diva, deu-lhe 5 minutos de emissão. À Amália Rodrigues de todo o continente sul americano.
    Através de Mercedes Soza (argentina) cheguei a outras vozes e a outros músicos. Mas hoje só vou falar das mulheres. Violeta Parra (chilena), que compôs aquele Gracias a la Vida é um mito. Os temas populares e os problemas sociais são uma constante na sua música, e a imagem que temos dela bebe muito da sua forte militância política. Mas Violeta Parra é uma artista. e é raíz. é emoção. são todas as dimensões.
    Em direcção ao Norte, damos um salto a Cuba para evocarmos Celina González. Chegamos ao México e à musa de Frida Kahlo, Chavela Vargas. É preciso ouvi-la cantar La Llorona. Almodovar foi buscar Luz de Luna e rendeu-se à sua personalidade forte. Chavela, que morreu recentemente com mais de 80 anos, deixou uma herdeira. Ela está ali, chama-se Lila Downs. Talvez a tenham visto e ouvido no filme Frida, de Julie Taymor.
    Todas juntas numa mesma passion musical e política. Hijas de America Latina. Sangre caliente. Cantando la vida.

    12.7.06

    O belo de cantar ensemble é cantar ouvindo os outros.

    Meredith Monk
    no Teatro Aveirense, Workshop 8/07/06

    6.7.06

    A Feiticeira da Voz em Aveiro


    MEREDITH MONK

    No dia 7 de Julho, concerto no Aveirense (21:30)
    No dia 8 de Julho, Workshop intensivo (14:30-17:30)

    Confirmem tudo no site oficial de "o fenómeno".

    2.7.06

    JÁ OUVIRAM, VIRAM, ADORARAM?

    ANDREW BIRD



    Andrew Bird


    Andrew Bird

      A Nervous Tic Motion of the Head to the Left, do álbum The Misterious Production of Eggs




      Lull - do álbum Weather Systems

    being alone it can be quite romantic
    like jacques cousteau underneath the atlantic
    a fantastic voyage to parts unknown
    going to depths where the sun’s never shone
    and i fascinate myself when i’m alon

    23.6.06

    Outra forma de festejar o Mundial #4

    JAPÃO


    Fotos daqui [e leiam a excelente entrevista a Oe]

    Um testemunho de vida (manipulado Pró-Vida, mas esqueçamos esse detalhe(se quiserem). do escritor japonês Kenzaburo Oe, Nobel de Literatura de 1994.

    Quando Oe vê o recém-nascido, fica profundamente confuso: uma criatura monstruosa, parecendo ter duas cabeças. Metade do cérebro saía do crânio, envolvido em faixas ensangüentadas... Na boca um grito que não conseguia sair.
    Oe narra esta dramática experiência, anos mais tarde, no seu romance Uma questão pessoal: "Como Apolinário, o meu filho foi ferido em um campo de batalha escuro e solitário, um campo para mim totalmente desconhecido. E chegou até nós com a cabeça enfaixada. Terei que sepultá-lo como um soldado que morreu na guerra". Mas as coisas tomaram um outro rumo para Oe e a sua família. "As lágrimas fáceis de um funeral prematuro – é sempre Oe que narra – não resolviam a questão. A criança iniciava uma luta feroz e desesperada para viver."(sobre Uma Vida que Renasceu)


    BRASIL



    Vinicius de Moraes escreveu e Ney Matogrosso cantou um dos mais bonitos poemas sobre as vítimas de Hiroshima: Rosa de Hiroshima.


    Pensem nas crianças
    Mudas telepáticas
    Pensem nas meninas
    Cegas inexatas
    Pensem nas mulheres
    Rotas alteradas
    Pensem nas feridas
    Como rosas cálidas
    Mas, oh, não se esqueçam
    Da rosa da rosa
    Da rosa de Hiroshima
    A rosa hereditária
    A rosa radioativa
    Estúpida e inválida
    A rosa com cirrose
    A anti-rosa atômica
    Sem cor sem perfume
    Sem rosa sem nada



      Ney Matogrosso - Rosa de Hiroshima

    21.6.06

    Outra forma de festejar o Mundial #3

    Faltava (aqui) esta contribuição do México ao mundo. Bésame Mucho é um bolero da autoria da compositora mexicana CONSUELO VÉLASQUEZ (que só faleceu o ano passado, a 22 de Janeiro). Frank Sinatra, Beatles, João Gilberto e claro, Luis Miguel, são apenas alguns dos cantores que interpretaram esta canção. Deixo-vos mais duas versões FABULOSAS, e a prova de que Bésame Mucho atravessa todos os tempos e sensibilidades.

    Nat King Cole trio (mp3)

    Diana Krall (mp3)


    Bésame, bésame mucho,
    Como si fuera esta noche la última vez.
    Bésame, bésame mucho,
    Que tengo miedo perderte,
    Perderte otra vez.

    Quiero tenerte muy
    Cerca, mirarme en tus
    Ojos, verte junto a mí,
    Piensa que tal vez
    Mañana yo ya estaré
    Lejos, muy lejos de ti.

    Bésame, bésame mucho,
    Como si fuera esta noche la última vez.
    Bésame mucho,
    Que tengo miedo perderte,
    Perderte después.

    13.6.06

    Outra forma de festejar o Mundial #2

    BRASIL - CROÁCIA
    Nos dois países, vários lançamentos. Vejam o jogo, ouçam os álbuns.

    CHICO BUARQUE


    SEVERINA
    Explorem bem o site: multimedia e downloads. vejam as fotos.

    2.6.06

    Borges & Piazzolla


    Esta canção tirei-a de um do meus álguns de eleição, BORGES & PIAZZOLLA - Tangos & Milongas, com direcção musical de Daniel Binelli e voz de Jairo.

    A milonga Jacinto Chiclana é um tema simples, simples porque obedece ao espírito dos temas de Jorge Luis Borges. É uma milonga guitarrera, ou seja, o tipo de milonga improvisada. O encontro entre Borges e Astor Piazzolla foi mágico e inevitável. Desse conhecimento nasceu uma obra que é uma espécie de herança dos dois génios argentinos ao mundo.

    (E se algum dia encontrar o dono desta voz, fujo com ele! :))



    Me acuerdo. Fue en Balvanera,
    En una noche lejana
    Que alguien dejó caer el nombre
    De un tal Jacinto Chiclana.

    Algo se dijo también
    De una esquina y de un cuchillo;
    Los años nos dejan ver
    El entrevero y el brillo.

    Quién sabe por qué razón
    Me anda buscando ese nombre;
    Me gustaría saber
    Cómo habrá sido aquel hombre.

    Alto lo veo y cabal,
    Con el alma comedida,
    Capaz de no alzar la voz
    Y de jugarse la vida.

    Nadie con paso más firme
    Habrá pisado la tierra;
    Nadie habrá habido como él
    En el amor y en la guerra.

    Sobre la huerta y el patio
    Las torres de Balvanera
    Y aquella muerte casual
    En una esquina cualquiera.

    No veo los rasgos. Veo,
    Bajo el farol amarillo,
    El choque de hombres o sombras
    Y esa víbora, el cuchillo.

    Acaso en aquel momento
    En que le entraba la herida,
    Pensó que a un varón le cuadra
    No demorar la partida.

    Sólo Dios puede saber
    La laya fiel de aquel hombre;
    Señores, yo estoy cantando
    Lo que se cifra en el nombre.

    Entre las cosas hay una
    De la que no se arrepiente
    Nadie en la tierra. Esa cosa
    Es haber sido valiente.

    Siempre el coraje es mejor,
    La esperanza nunca es vana,
    Vaya pues esta milonga
    Para Jacinto Chiclana.

    As time goes by (Casablanca)

    This day and age we're living in
    Gives cause for apprehension
    With speed and new invention
    And things like fourth dimension.

    Yet we get a trifle weary
    With Mr. Einstein's theory.
    So we must get down to earth at times
    Relax relieve the tension

    And no matter what the progress
    Or what may yet be proved
    The simple facts of life are such
    They cannot be removed.

    You must remember this
    A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
    The fundamental things apply
    As time goes by.

    And when two lovers woo
    They still say, "I love you."
    On that you can rely
    No matter what the future brings
    As time goes by.

    Moonlight and love songs
    Never out of date.
    Hearts full of passion
    Jealousy and hate.
    Woman needs man
    And man must have his mate
    That no one can deny.

    It's still the same old story
    A fight for love and glory
    A case of do or die.
    The world will always welcome lovers
    As time goes by.

    Oh yes, the world will always welcome lovers
    As time goes by.

    Letra e música de Herman Hupfeld



    20.4.06

    (eu sei que é preciso ler em francês mas...)

    Depois de ler este fragmento de Lutoppie de Thomas Jimenez, fiquei a pensar se isto é que é (ainda) ser de esquerda, ou se é mais quixotesco, ou as duas coisas...

    alors soyons donc réalistes,
    exigeons l’impossible
    le raisonnable est triste
    la vie est moins pénible
    quand on a un moulin
    à qui casser la gueule

    même si cela est vain

    mieux vaut que d’être veule
    être ce chevalier
    à la triste figure
    qui ne gagne jamais

    mais qui toujours s’insurge


    Tom Jimenez é compositor e vocalista dos
    L'air de rien, a banda que estais a ouvir. Apareceu por aqui e deixou um convite simpático. Quer que comentemos os textos que escreveu para o próximo álbum que vai sair em Setembro. Vão até ao blog da banda, deixem lá a vossa opinião e, eventualmente, insurjam-se! ;)

    L'air de rien ou estou cada vez mais addict deste Tom Jimenez


    On se croirait sous la terreur
    Y'a bien plus que d'quoi s'atterer
    Alternant le terne et l'horreur
    Le populisme étatisé
    Dicte sa loi, celle de la peur
    Mais sous couvert de liberté
    Choisit si bien les mots menteurs
    Les rend criants de vérité
    Rhabille le zéle des délateurs
    L'patriotisme exacerbé
    En acte de foi, acte d'honneur
    En preuve de citoyenneté
    Qu'est c'qu'il a donc a l'Intérieur
    De quelle langue de bois est-il fait ?
    Allume la mèche de la fureur
    En prenant l'air d'pas y toucher

    Le populisme et la peur
    Marchent si bien à la télé

    3.4.06

    Orgulho e Preconceito








    Gosto particularmente de Darcy's Letter... e desta imagem de uma das cenas finais do filme.

    23.3.06

    Sinéad O'Connor


    Sinéad O'Connor


      Regina Caeli


      The Last Day Of Our Acquaintance



      Emma's Song


      Nothing Compares 2 U

    14.3.06

    Chas.Mtn

    E agora algo completamente diferente, Chas. Mtn. Fly over the city, baby!





    Chas. Mtn. began in the late fall of 2003 one night in an overpriced, non-soundproofed practice space in the notorious "fens" district in the college ghetto of Boston. Core members Gary War and Ned Egg (no college) began recording bits and songs on the prestigious Tascam Porta 02 machine, and as baseball season ended the boys' sonic explorations flourished to "this sounds o.k.; there are no Eric Johnson solos filtering into the recordings from next door" status. With influences rooted in gangster rap, dub, films featuring Keith David, and punk, Egg and War wanted to start from scratch. By ignoring the feeble trends that plagued every other recording combo of the time, the result was an album of simple but honest hardcore-folk songs with lyrical material ranging from the depression and hopelessness of pan-capitalism to the contempt derived from the manipulation of women: all from an optimistic and loving perspective, of course. The Hugs album lay idle until western vinyl decided that is wasn't shit, but that it was in fact brilliant and that there was nothing ever like it created in the world, ever. After a year of separation, and with musical soulmates R-dills and Zeus close by, War and Egg are reunited in the far less detestable city of Cambridge and will record a follow up album once they hustle a music space and acquire instruments that stay in tune. There is hope for the future.

    E aqui, mais música alternativa.