5.5.05

De tão leve

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Não digo que mentisse: pelo que sei, afirmações do género tanto podiam ser falsas como verdadeiras. Estava provado que de vez em quando passávamos ao largo de um universo (ou que um universo passava ao largo em relação a nós). Italo Calvino, Cosmicómicas


Hay-Kay _____de tão leve pisa sem marcar a pele


O que eu espero_____desconfie de mim em seu olhar não acredite se eu lhe digo não
Canta Nancy Galvão
Às vezes apetece esta insegura e doce leveza.

Um dia

Esse lugar onde não há mentira
É para lá que eu vou
Esse lugar que a lua ilumina
com essa luz que fascina
É para lá que eu vou
Esquecer o barulho
Respirando o ar puro
que sai da flôr
Há gente tão linda...


Canta a paulista Nancy Galvão

1.5.05

InJAZZ


Bernardo Sassetti

Por onde começar? Talvez repetindo os agradecimentos de Sassetti: à CMA, ao Teatro Aveirense e sobretudo a Pedro Santos da ONC - Produções Culturais. Pedro Santos arriscou a iniciativa do InJazz num país onde tudo está centralizado..., houve um problema de público... mas por isso mesmo, porque é importante educar para a cultura, para a música, para o Jazz..., há que fazer uma aproximação, assim, em 6 cidades do país...

E depois, hoje. Não houve um problema com o público. A sala estava cheia. Bernardo Sassetti encheu a sala. E Mário Delgado, é claro.

Mas eu só ouvi o Sassetti. São coisas que não se devem contar. Mas foi tão bom, tão bom, ouvi-lo durante cerca de uma hora e meia, gostei tanto tanto daquele som que saiu de dentro do piano domesticado, que não quis ouvir mais nada. Quis manter a memória daquelas melodias intacta, sem interferências. Saí no intervalo e passei o bilhete a um amigo que assim pôde assistir à segunda parte do espectáculo com os Filactera Redux de Mário Delgado.

Sasseti tocou peças de Indigo (álbum lançado em finais de 2004) e mais umas tantas improvisações precisas - ele tem a certeza das notas que toca - que se inspiraram em John Coltrane, John Lennon e até José Afonso (belíssima a "revisitação criativa" das melodias do Zeca Afonso, desta vez sem Mário Laginha).

Os encores foram muitos, o pianista acedeu sempre, ofereceu inéditos (a banda sonora de um filme, mais uma) e bónus ao público.

Conhecerão o estilo. Intimista, emotivo, louco, contido, melódico. Virtuoso é claro, e mágico. Às vezes tinha a impressão de sonatas a quatro mãos, orquestra e coro. Mas era só ele, Bernardo Sassetti a solo.

Ahhhhhhhh, que bom que foi!

22.4.05

José Mário Branco



Resistir é vencer é um álbum belíssimo, fantástico, maduro, poético, ... descobri-o e ando a ouvi-lo a ouvi-lo. Canção preferida, já agora: o papão do anão!

16.4.05

The grande passion


Al Di Meola

O espírito criador acede então à alma, depois às almas e provoca uma aspiração, um impulso interior.
Wassily Kandinsky
in Gramática da Criação

O guitarrista de New Jersey, do Elegant Gypsy e de tantas outras fusões com a música latina, dedilha em The Grande Passion - World Sinfonia, este Double Concerto de Astor Piazzolla.


Double Concerto (5:55)
Astor Piazzolla
Al Di Meola, acoustic guitar (Roland GR 30-bandoneon) • Mario Parmisano, acoustic piano • Gilad, percussion • Toronto Orchestra, strings and woodwinds • Fabrizio Festa, conductor

12.4.05

Songs from de trilogy


Philip Glass

Talvez se lembrem da banda sonora do filme The Hours. Eu descobri-o no século passado depois de ver Mishima (de Paul Schrader), também com música original de Philip Glass. Ele é um dos fundadores do minimalismo americano, a sua música é hipnótica e repetitiva. e intensa. Mas o que me fez ajoelhar (exagero. dobrar-me) foi a ópera. Philip Glass é um dos mais sublimes compositores contemporâneos de ópera.

Em 1977 compôs Einstein on the Beach, em 1980 Satyagraha e em 1983, Akhenaten. As três formam uma trilogia de óperas-retrato. Todas se centram num grande sábio ou, como explicou Glass, num homem cuja visão pessoal tenha revolucionado o pensamento do seu tempo pelo poder das ideias e não pela força das armas.

Einstein, Satyagraha-Gandhi (a ópera incide mais nos primeiros anos de actividade política na África do Sul) e Akhenaten, rei egípcio, considerado o primeiro monoteísta.
Deixo-vos um cheirinho de cada uma destas óperas da trilogia.

[P.S.: deixaram de estar on line no site do músico]

29.3.05

Ali Farka

Por causa de um viajante e explorador chamado bin_tex, ando há já algum tempo à procura deste Ali Farka Touré.
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Cá, dábliu, ípsilon..., parece que finalmente o vou encontrar!

28.3.05

Cantar em libanês


Magida el Roumi

Juro que sei de cor algumas das canções da Magida, apesar de não perceber uma palavra de libanês..., para além de Habibi. Se quiserem ouvir um som verdadeiramente diferente, toquem aqui.

26.3.05

Alive



E agora, Dee Dee Bridgewater canta Kurt Weill. O tributo documentado em vídeo, aqui.

25.3.05

Victim of love



Precious Thing (Till the next ... somewhere)
Dee Dee Bridgewater
com Ray Charles


Take your ring

Isn't strange you're always leaving things
Never mind I know this room is not a home
I hope I made you feel less alone
Think of me while you roam

Please no strings
But it's more than just another fling
There are things I believe should never be told
But you're the only one I wanna hold
Cause it can get awfully cold

Precious thing
You know our love is such a wonderfull thing
You make me dizzy whispering in my ear...
Soon my love till the next...somewhere

Keep the ring
Ain't it funny, right? I'm always loosing things
But you're like me you've known the road
Would be your home
I hope I made you feel less alone
Think of me as your own

Precious thing
You know our love is such a wonderful thing
You make me dizzy whispering in my ear
Soon my love till the next... somewhere

Say no strings
Oh freedom is still as much as my thing
I know promises can be so hard to keep
The price I paid to learn was a little too steep
But still my love runs deep

Precious thing
You know our love is such a wonderfull thing
You make me dizzy whispering in my ear
Soon my love till the next... somewhere

[Lyrics: R. Bird
Music: P. Papadiamandis]

24.3.05

The living road


Lhasa de Sela

No início, somos muito pequeninos e por isso temos a impressão de que o espaço à nossa volta é amplo e de que todos os movimentos são possíveis. Aos poucos vamos crescendo, e então o nosso corpo começa a tocar as paredes e as mãos começam a empurrá-las, mas ainda nos sentimos felizes. Até que chega o dia em que não suportamos mais estar fechados ali, sentimo-nos condicionados e, às vezes, quase asfixiamos. De forma mágica, esse mesmo espaço começa a expulsar-nos de forma violenta. Ficamos aterrados e pensamos que vamos morrer. Mas afinal, nascemos!

Com palavras diferentes, quase soletradas em português, esta história. Contada pela Lhasa de Cela no espectáculo fantástico a que pude assistir há poucos meses. Já conhecia a música e a voz dela, mas nesse dia fiquei rendida a Tudo. até o silêncio entre duas canções me pareceu necessário.

Con toda a palavra, amigos! E vejam aqui o último álbum.

Mão Morta. Exposição de fotografias


Pedro Sousa

Na livraria Centésima Página, em Braga, está patente uma exposição de fotografias e textos muito singular. O fotógrafo Pedro Sousa captou os Mão Morta em movimento e Adolfo Luxúria Canibal dissecou os textos que acompanham as imagens. Até 31 de Março, bracarenses & penetras poderão passar por lá e arrepiar-se. De resto, e porque "Já há muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável", talvez tenham tido conhecimento deste Aviso.

AVISO À POPULAÇÃO
[Adolfo Luxúria Canibal]

atenção! atenção! aviso à população! atenção! atenção! aviso à população! esta madrugada deu-se uma fuga do sector dos lazeres. o grupo mão morta abandonou o nicho alternativo que ocupava no mercado do entretenimento. os seus membros, aptos a exercer diferentes ofícios, podem facilmente infiltrar-se noutros sectores da nossa democracia. são considerados perigosos. repito: são considerados perigosos! qualquer informação relativa a estes indivíduos deve ser imediatamente comunicada ao jornalista da sua área. atenção! atenção! aviso à população! atenção! atenção! aviso à população!

23.3.05

Vício


Tori Amos, The Beekeeper

Este álbum é um vício. Aqui descobri um site para degustação.

15.2.05

Au fond d'une poche oubliée


Carla Bruni

Para além de belíssima, quando ela canta, fazendo os loucos compreender (como um invernoso eu) que todos os afazeres da mente não se comparam a uma violeta (como diz o meu E.E. Cummings), é impossível ficar indiferente. Ouvia-a enquanto trabalhava e apeteceu-me parar.
Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a l'âme emmêllée,
Tout le monde a l'enfance qui ronronne,
Au fond d'une poche oubliée.Tout le mond a des restes de rêves,
Et de coins de vie dévastés,
Tout le monde a cherché quelque chose un jour,
Mais tout le mond ne l'a pas trouvé.
Il faudrait que tout le monde réclame,
Auprés des autorités,
Une loi contre toute solitude,
Que personne ne soit oublié.
Tout le monde a une seule vie qui passe,
Mais tout le monde ne s'en souvient pas,
J'en vois qui la plient même qui la cassent,
Et j'en vois qui ne la voient même pas...
Para a ouvir e conhecer todas as letras/música que compôs para o álbum quelqu'un m'a dit, clique aqui (preencham aqueles campos e é imediato).

20.1.05

Mulheres da América do Sul, hablando espanhol


Lila Downs

A primeira vez que ouvi Mercedes Sosa ficou para sempre. O mais forte não terá sido então aquele poema Gracias a la Vida nem o som grave e índio que parecia chegar das profundezas da Cordilheira dos Andes. Não, o que me tocou foi o silêncio cheio de lágrimas da Consuelo. Essa amiga dos 20 anos, colombiana, quase exilada, e que tinha uma beleza prima da de Lila Downs. Contava histórias que pareciam vindas dos romances de Gabriel Garcia Márquez, cheias de heróis que sobreviviam a terramotos e a armas e conservavam a pureza. Havia uma de um músico que arriscara várias vezes a vida pelo seu violino. Fiquei assim, observando e respeitando as lágrimas de Consuelo, que pareciam querer dizer "esta é a minha identidade" e estou longe, sinto saudades.
Passaram-se longos meses até esbarrar num álbum de Mercedes Sosa. Pensei que tinha de o levar para casa pela Consuelo. Mas, no meu silêncio, encontrei outras razões para nunca mais deixar de a ouvir. Mercedes conseguiu juntar as melhores influências e os melhores letristas-compositores daquele continente (Nicolas Brizuela, Victor Herédia, Silvio Rodrigues, Milton Nascimento, Chico Buarque, entre tantos outros). Um dos meus sonhos é ouvi-la ao vivo um dia. Quando passou por Portugal - deu um concerto na Aula Magna, eu vivia em França. Lembro-me de que nessa ocasião foi ao programa do Herman José. Eu via os canais portugueses e quis bater em alguém. Ele não conhecia a grandeza da diva, deu-lhe 5 minutos de emissão. À Amália Rodrigues de todo o continente sul americano.
Através de Mercedes Soza (argentina) cheguei a outras vozes e a outros músicos. Mas hoje só vou falar das mulheres. Violeta Parra (chilena), que compôs aquele Gracias a la Vida é um mito. Os temas populares e os problemas sociais são uma constante na sua música, e a imagem que temos dela bebe muito da sua forte militância política. Mas Violeta Parra é uma artista. e é raíz. é emoção. são todas as dimensões.
Em direcção ao Norte, damos um salto a Cuba para evocarmos Celina González. Chegamos ao México e à musa de Frida Kahlo, Chavela Vargas. É preciso ouvi-la cantar La Llorona. Almodovar foi buscar Luz de Luna e rendeu-se à sua personalidade forte. Chavela, que morreu recentemente com mais de 80 anos, deixou uma herdeira. Ela está ali, chama-se Lila Downs. Talvez a tenham visto e ouvido no filme Frida, de Julie Taylor.
Todas juntas numa mesma passion musical e política. Hijas de America Latina. Sangre caliente. Cantando la vida.

18.1.05

Mulheres de África


Quem tem um ovo no saco não dança (provérbio africano)

A África Negra produziu ao longo dos anos um número incomensurável de mulheres cantoras. A sua música sempre me perturbou. Isto quer dizer emocionar, impelir à dança, enlevar-se.
Se aqui vou deixar alguns nomes é porque me parece importante quebrar a imagem estereotipada da mulher e da música africanas. das duas. Ouvi-las cantar é atravessar linguagens e romper barreiras culturais.
Mirian Makeba, sul africana, é a Mama África. É uma lenda viva. Nasceu em 1932 e, devido à política de apartheid, passou os seus primeiros seis meses de vida numa prisão com a mãe. A mãe, curandeira, chamou-lhe Zenzi, diminutivo de Uzenzile, que significa "não podes culpar ninguém, a não ser a ti própria".
E Makeba é um exemplo de força. Em 1963 discursou nas Nações Unidas e tornou-se a porta-voz (não oficial) do movimento contra-apartheid, viveu exilada até à eleição de Nelson Mandela, em 1990.
Musicalmente, alcançou renome internacional muito cedo. Com apenas 21 anos tornou-se a vocalista dos Manhattan Brothers. Em 1959 consegue o papel principal em King Kong, um espectáculo da Broadway, e conquista a América. Cantou para o Presidente kennedy no dia do seu aniversário (não foi só a Marilyn Monroe). Trabalhou com Harry Belafonte, participou na digressão de Paul Simon com Graceland. Já actuou nas principais Salas deste mundo. Mirian Makeba é uma diva.
Canta em xhosa, zulu e inglês e o seu espectro musical é amplo, desde a música tradicional africana ao jazz.
As outras cantoras africanas que destaco também conheceram fama internacional. Angélique Kidjo (Benim), Yvone Chaka (África do Sul), Mbilia Bel (Republ. Democrática do Congo). E, é claro, Cesaria Evora, que em Portugal é sobejamente conhecida.
Um outro provérbio africano diz que "Deus soube esconder a nudez do milho sob folhas verdes". Retirem as folhas, uma a uma.