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13.5.12

O Mistério de Teresa Salgueiro

I. Explicar às minhas filhas quem é a Teresa Salgueiro. Se é fadista? - não. É tipo a vocalista dos Deolinda? - não. Canta o quê? - Música portuguesa. (Vá, definam o estilo dos Madredeus a duas miúdas de 12 anos, não esquecendo de as motivar para o espectáculo que vão ver a seguir. Ah, elas gostam da Adele, mas também da Rhianna!). Ela canta MUITO bem, fez parte dos Madredeus - podem ouvir todos os CDs - e esse grupo teve imenso sucesso em todo o mundo, até no Japão! No Japão? - sim. E depois de vários anos a trabalhar juntos, decidiram separar-se. Desde há algum tempo, a Teresa Salgueiro tem projectos a solo.
Desconfiadas, foram ver o espectáculo. Primeira impressão: a sala está cheia de pessoas mais velhas, mesmo mais velhas do que eu! É um facto! E não percebo, juro que não percebo. Então agora os fãs dos Madredeus esqueceram ou rejeitam a vocalista! As músicas afinal eram tristes ou chatas, arrastavam-se qual filme de Manoel de Oliveira! Não percebo. A sala está cheia mas não há malta de 20/30 anos e a minha faixa etária também está mal representada. As miúdas têm razão: é só cabelos brancos!

Começa o espectáculo, ouve-se a primeira canção do novo álbum, "O Mistério". E só vos digo: a Teresa Salgueiro e a sua banda exige muito respeitinho. As minhas filhas perceberam o que é cantar irrepreensivelmente bem. Elas sabem, a voz que vem da garganta, o fôlego imenso, e parecer tão simples. E a presença em palco. Sempre contida, é certo. Mas a classe, senhores, a classe. Finalmente (mas não menos importante nestas idades), ela é bonita.


II. Agora eu. Não sei porquê, mas entro no Teatro e penso no Bernardo Sassetti. Vi-o tocar naquela sala. Mas não é isso. É ele todo, o músico e o homem. É a minha geração. Espero que a Teresa Salgueiro lhe dedique uma canção. Espero. Não sei porquê, parece-me bem. Ela não me fez a vontade, apesar de ter falado bastante sobre O Mistério. Há lá maior mistério que a morte! A verdade é que as canções são muito bonitas e a qualidade musical da banda, dos arranjos, a perfomance, é notável. Comovo-me às vezes. Continuo a pensar no Sassetti, enquanto sussuro beijos e pequenas atenções no ouvido das filhas. "Já viram que o contrabaixo está cortado?", "Ela parece uma odalisca, quando abre os braços e ondula as ancas!",....
As filhas vão-se enroscando à medida que as canções se sucedem. Mas não há canções de embalar. O ritmo é forte, o timbre poderoso, o silêncio desperta, há variações que nos fazem querer rodar na cadeira. Há espanto. Estava a ouvi-la e a vê-la e dei comigo a pensar nas minhas divas da América Latina, a postura séria, a voz que encarna uma causa. Teresa Salgueiro defende o conceito do mistério da vida, dos mistérios, fonte da nossa fragilidade e da nossa força. E a necessidade de manter a integridade do ser. Os cabelos compridos da Mercedes Sosa, da Lilla Downs. Um misticismo que-não-é-assim-tão discreto. Mas também ouço e vejo as minhas divas africanas e árabes, Magida El Roumi, Natasha Atlas, Fairouz, Om Lalthoumem. São algumas variações, a tónica musical, a contenção, os temas: a ausência do amado (ela poderia dizer habibi, em vez de meu amado, meu amor), os quatro elementos (a luz da manhã, a terra seca, o firmamento, oásis..., palavras que fixo). Há uma fusão de influências. O acordeão (Carisa Marcelino), a bateria e percussão (Rui Lobato), o contrabaixo (Óscar Daniel Torres) e a guitarra (André Filipe Santos) levam-nos numa viagem. Ouvimos tangos, ritmos tribais, danças do véu, trovas de ventos que passam e vão ficando, fados, toques jazzy, eu sei lá! Mas respiramos bem porque é tudo confusamente simples e harmonioso.
A alegria. Falta falar da alegria que vai crescendo. Eu acho que poderia ser maior ainda se os poemas tivessem sido renovados. Na obra da Teresa Salgueiro, ou neste álbum, isso não aconteceu. Comprei o CD e confirmo a impressão de que a escrita deve ter sido colectiva (como foi colectiva a composição musical). Os poemas não têm autor designado. A artista evoluiu, musicalmente surpreende. Mas as palavras, mesmo que inseridas noutras frases, são as mesmas. «Nas ondas do mar/na luz serena da chuva/eu sei. Aguardo as palavras/suspensas no silêncio/e vou». É belo mas é Madredeus e, naquela mesma voz, o verso belo parece gasto. Foi assim comigo.
De resto, só queria que ela tivesse feito uma pausa no seu imenso profissionalismo, no seu esquema impecável, e dissesse Bernardo Sassetti, o músico velado àquela mesma hora. É a nossa geração, Teresa Salgueiro.

11.5.12

Noite (Alice)


Tema principal do filme ALICE, de Marco Martins, gravado sete anos depois, na Timbuktu Solo Sessions.

Bernardo Sassetti (1970-2012)

Foto de Pedro Cunha

Tive a oportunidade e a felicidade de o ouvir várias vezes em espectáculos ao vivo. Creio que a primeira vez foi em 2005, no InJazz. Gostei tanto que escrevi, mal cheguei a casa :  Conhecerão o estilo. Intimista, emotivo, louco, contido, melódico. Virtuoso é claro, e mágico. Às vezes tinha a impressão de sonatas a quatro mãos, orquestra e coro. Mas era só ele, Bernardo Sassetti a solo.

24.4.12

O meu amor

A última escolha musical de Miguel Portas na sua página no facebook. "O meu amor". interpretado pela Cristina Branco.

9.4.12

Adriano Correia de Oliveira

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA - 1942 - 1982. Faria hoje 70 anos.

Não se deitam comigo corações obedientes

A Naifa, hoje, no Centro Cultural de Ílhavo.

Foi bom vê-los pela terceira vez ao vivo, agora sem o João Aguardela, mas ainda com a memória dele tão presente. A Sandra Baptista é o novo elemento da banda e é simplesmente a mulher mais bonita que já vi a tocar baixo. A Mitó (voz), o Luis Varatojo (guitarra portuesa) e o Samuel Palitos (bateria) estão como esperávamos, cada vez mais próximos, cada vez mais simples. O Centro Cultural de Ílhavo estava com a casa meia cheia (não se sentiu a parte meia vazia)(mas, pela conversa após o espectáculo, nos bastidores, não havia muita gente da terra___ ou havia muita gente que não era de Ílhavo)(a verdade apanha-se com mentiras ou entre muitas tentativas para contar uma mesma estória). O novo álbum tem um título poético e revelador, afirma uma atitude, que eu diria ser a d' A Naifa: "Não se deitam comigo corações obedientes". Como em todos os álbuns anteriores, há um enorme cuidado com as letras das canções; desta vez, todos os temas têm a autoria de poetisas portuguesas. Se gostarem de Margarida Vale de Gato ou de Adília Lopes, podem (re)encontrá-las. e Maria do Rosário Pedreira, Ana Paula Inácio e Renata Correia Botelho. Enfim, «não há mais mundos, este chega e sobeja/ o fruto proibido era a cereja...».


25.2.12

Zeca

Ontem não escrevi nada aqui. mas faltou o Zeca. e não sei se sentiram: as águas das fontes calaram-se e as ribeiras choraram.

24.12.11

Canção de todos os dias

Diz-me lá porque é que tu não me envias postais durante o ano inteiro
Diz-me lá porque razão é que não me dás prendas sem ter um pretexto
Diz-me lá o que te move uma vez por ano
Eu preciso mais de ti do que te vais lembrando



Filmado por Deolinda.
Edição e pós produção vídeo por Filipe Cunha Monteiro
Gravado e misturado por Sérgio Milhano nos Estúdios Ponto Zurca
Participação de Filipe Cunha Monteiro na Pedal Steel Guitar
Deolinda, Dezembro de 2011

29.11.11

Rui Oliveira


Concerto 15 Nov 2011 na Casa da Música
Travessa do poço dos Negros
Letra: Luis Represas
Música: João Gil
Rui Oliveira: voz
Marco Figueiredo: piano
Miguel Calhaz: contrabaixo
Alexandre Lau: som

25.11.11

Outono ' 71

...no Outono de 1971...cinco obras primas da música portuguesa!

Em Aveiro, no Mercado Negro, 30 de Novembro, 21h 30m.
Organização do Núcleo da Região de Aveiro da ASSOCIAÇÃO JOSÉ AFONSO.

13.11.11

A Pele Que Há em Mim (Quando o dia entardeceu)


JP Simões foi convidado para entrar no universo de "A Pele que há em mim".
Este tema faz parte da nova edição de , com lançamento em Dezembro de 2011

4.11.11

Último rol de vídeos desta facebookiana

Porque sim:

Jon Mclaughlin - Beautiful Disaster


Lançado o álbum biophilia, e antes de o ouvir (acabou de chegar via shop.bjork), voltar ao passado e ao vício Björk:

Pagan Poetry


Bachelorette


___ E retorno às origens lusas com:

Carlos Paredes - Mudar de Vida, com Luísa Amaro na Viola e Paulo Curado na Flauta


António Zambujo - Foi Deus
(Foi Deus como deus quis: assim, simples, sem grandes arranjos)

16.10.11

Todos os homens são maricas quando estão com gripe

Pachos na testa terço na mão uma botija chá de limão zaragatoas vinho com mel três aspirinas creme na pele grito de medo chamo a mulher - ai Lurdes Lurdes que vou mriorrer mede-me a febre olha-me a goela cala os miúdos fecha a janela não quero canja nem a salada ai Lurdes Lurdes não vales nada


Letra: António Lobo Antunes

15.9.11

José (Zeca) Medeiros no Teatro Viriato


Artista multifacetado, com obra feita e reconhecida na televisão, no Teatro, na Música e no Cinema, Zeca Medeiros canta, encanta, inventa e reinventa sem nunca cansar quem o ouve. Nunca canta a mesma canção duas vezes da mesma maneira. Fá-lo com a voz portentosa e única que possui, mas também com as mãos, com o rosto e o coração, porque nele tudo é música.
Muitos comparam-no a Tom Waits, mas em palco o músico e cantor remete o público para o universo musical do francês Jacques Brel, devido à sua entrega e ao modo como interpreta as suas canções de amor e de mágoa.
O concerto de Zeca Medeiros tem como fio condutor os novos temas do recentemente editado Fados, Fantasmas e Folias. Autor de todas as músicas e letras, o músico funde e confunde o valor da palavra com a tradição e cultura açoriana, acrescentando-lhe com uma mestria incontornável o tom grave e rouco da sua voz, ora embalador, ora poderosamente desconcertante. Do espectáculo farão parte temas como Camarim – Canção da Timidez, Eu gosto tanto de ti que até me prejudico e Cançoneta do Forte Fraquinho, música que integra a peça coreográfica de Paulo Ribeiro Paisagens... “onde o negro é cor” e que será interpretada de forma especial no Teatro Viriato.

P.S. 1: No Teatro Viriato, espectáculo a 24 de Setembro. Entretanto, já este sábado no Teatro Aveirense, Paisagens... “onde o negro é cor"

P.S. 2: Esperando a ventura de
outra noite como aquela

6.9.11

Ricardo Ribeiro

O que se faz, quem acontece e onde na música contemporânea portuguesa não é motivo de front pages. e deveria ser. Conheci o Ricardo Ribeiro porque ambos gostamos de silêncio. e de música. Ele, é claro, é uma estrela. Eu ouço-o (quando ele deixa) e lanço avisos à população. Ele é qualquer coisa muito boa, completamente luso e de outro mundo. Por agora, leiam isto.

«Actualmente na sua música Ricardo Ribeiro utiliza elementos como repetição e "articulação da matéria" aproximando-se neste sentido de compositores como Beat Furer ou Pierluigi Billone. Por um lado, a sua música nasce num contexto "histórico, social e cultural", mas por outro "toda a obra de arte produz um espaço e um tempo que lhe são próprios e que têm em si mesmos elementos que caracterizam um determinado período. Não só assimilam o que está à sua volta como deixam marcas dessa assimilação, dessa transformação e desses elementos."»


(são os caracois os caracolitos. sorry R., não resisti :))

Solo sé que no sé nada

Solo sé que no sé nada
Corazón batiendo fuerte
Sentimiento de viajen
Solo sé que no sé nada


Nevoeiro



O primeiro e único livro em português que Fernando Pessoa publicou em vida foi MENSAGEM (1934), um “livro de versos nacionalistas”, composto ao longo de cerca de duas décadas. O poeta estruturou-o em três partes, correspondentes a etapas da evolução do Império Português - nascimento (os construtores do Império), realização (o sonho marítimo e a obra das descobertas) e morte (a imagem do Império moribundo, com a fé da ressurreição do espírito lusíada do império espiritual, moral e civilizacional). A terceira parte - Encoberto - evoca um Portugal mais recente, envolto em tristeza, trevas e perda de identidade (a morte). «Nevoeiro» assume esse tom geral de disforia, de tristeza e melancolia.

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!