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19.7.06

Música mor no Castelo #1

Deitada na relva a ouvir Chirgilchin e a olhar um céu imenso. Throat singing (canto da garganta) e estrelas. Khoomei __essa forma de canto_tradicional_ que se desmultiplica em várias tonalidades vocais, algumas meramente apoiadas em vogais____além do nosso imaginário convencional (que até o imaginário, às vezes, é convencional). Uma noite de Verão. num castelo. da República russa de Tuva.

14.7.06

Laurie Anderson


Fotos daqui

Os dois juntos seria querer demais! Ouvi-la já vai ser muito bom!
Sábado à noite, no Castelo de Montemor-o-Velho.

Called "America's multi-mediatrix" by Wired magazine and a "modern renaissance artist and agent provocateur" by Philadelphia Daily News, Laurie Anderson (born 1947 in Chicago, Illinois) is—in her work as a performance artist as well as musician, poet, writer, and visual artist—one of the most important artists of the later 20th century.

Pssst, art: 21

13.7.06

Vozes Femininas

Lila Downs vai estar no Porto a 18 de Julho e em Lisboa, na Aula Magna, no dia seguinte. Uma boa razão para tirar do baú um antigo post. ou dois.


Lila Downs

A primeira vez que ouvi Mercedes Sosa ficou para sempre. O mais forte não terá sido então aquele poema Gracias a la Vida nem o som grave e índio que parecia chegar das profundezas da Cordilheira dos Andes. Não, o que me tocou foi o silêncio cheio de lágrimas da Consuelo. Essa amiga dos 20 anos, columbiana, quase exilada, e que tinha uma beleza prima da de Lila Downs. Contava histórias que pareciam vindas dos romances de Gabriel Garcia Márquez, cheias de heróis que sobreviviam a terramotos e a armas e conservavam a pureza. Havia uma de um músico que arriscara várias vezes a vida pelo seu violino. Fiquei assim, observando e respeitando as lágrimas de Consuelo, que pareciam querer dizer "esta é a minha identidade" e estou longe, sinto saudades.
Passaram-se longos meses até esbarrar num álbum de Mercedes Sosa. Pensei que tinha de o levar para casa pela Consuelo. Mas, no meu silêncio, encontrei outras razões para nunca mais deixar de a ouvir. Mercedes conseguiu juntar as melhores influências e os melhores letristas-compositores daquele continente (Nicolas Brizuela, Victor Herédia, Silvio Rodrigues, Milton Nascimento, Chico Buarque, entre tantos outros). Um dos meus sonhos é ouvi-la ao vivo um dia. Quando passou por Portugal - deu um concerto na Aula Magna, eu vivia em França. Lembro-me de que nessa ocasião foi ao programa do Herman José. Eu via os canais portugueses e quis bater em alguém. Ele não conhecia a grandeza da diva, deu-lhe 5 minutos de emissão. À Amália Rodrigues de todo o continente sul americano.
Através de Mercedes Soza (argentina) cheguei a outras vozes e a outros músicos. Mas hoje só vou falar das mulheres. Violeta Parra (chilena), que compôs aquele Gracias a la Vida é um mito. Os temas populares e os problemas sociais são uma constante na sua música, e a imagem que temos dela bebe muito da sua forte militância política. Mas Violeta Parra é uma artista. e é raíz. é emoção. são todas as dimensões.
Em direcção ao Norte, damos um salto a Cuba para evocarmos Celina González. Chegamos ao México e à musa de Frida Kahlo, Chavela Vargas. É preciso ouvi-la cantar La Llorona. Almodovar foi buscar Luz de Luna e rendeu-se à sua personalidade forte. Chavela, que morreu recentemente com mais de 80 anos, deixou uma herdeira. Ela está ali, chama-se Lila Downs. Talvez a tenham visto e ouvido no filme Frida, de Julie Taymor.
Todas juntas numa mesma passion musical e política. Hijas de America Latina. Sangre caliente. Cantando la vida.

12.7.06

O belo de cantar ensemble é cantar ouvindo os outros.

Meredith Monk
no Teatro Aveirense, Workshop 8/07/06

6.7.06

A Feiticeira da Voz em Aveiro


MEREDITH MONK

No dia 7 de Julho, concerto no Aveirense (21:30)
No dia 8 de Julho, Workshop intensivo (14:30-17:30)

Confirmem tudo no site oficial de "o fenómeno".

2.12.05

SET' 05 de 23 Nov a 4 Dez III

Mahamoud Ahmed no Aveirense
(fotos proibidas. portei-me mal para este péssimo resultado)


Mohamoud Ahmed nasceu em 1941 em Adis Abeba. Tem o porte de um sheikh. O cabelo todo branco. Mas esperem até ele começar a mexer as articulações ou a dançar eskeusta. Vim de lá com vontade de aprender a deslocar omoplatas. Só vendo! E quem viver em Vila Real ou Bragança ainda vai ter oportunidade para o fazer. Mas deixem-se levar, mais rapidamente que os aveirenses, que só nos encores se levantaram e aproximaram do palco. apesar de Ahmed pedir essa participação desde o início, e de a música em si ser um convite.

Para uma primeira impressão deixo-vos este site. Ouçam as músicas que são acompanhadas pela eskeusta, um movimento de abanar dos ombros que pode levar ao êxtase.


Logo à noite, em Aveiro, temos o americano Corey Harris.

1.12.05

SET' 05 de 23 Nov a 4 Dez II

Acabo de ver os Armenian Navy Band, que vão estar também em Famalicão (amanhã), Bragança (dia 2) e Vila Real (dia 3). Façam o favor de ir ver o concerto. Só um aviso: se gostarem de dançar não fiquem na primeira fila, a não ser que queiram conhecer pessoalmente o Arto Tunçboyaciyan e não se importem de se exibir para a sala inteira.
Arto é o fundador, percussionista, guitarrista e vocalista da Armenian Navy Band. A música foi o meio que escolheu para expressar as suas maiores aspirações: love, respect and truth (palavras que escreveu no CD que comprei. sim, fui aos autógrafos).
Todas as composições da Armenian Navy Band são originais de Arto Tunçboyaciyan que, insiste, têm o som da sua vida. É uma música que tem raízes nas tradições musicais da Arménia e da Anatólia fundidas com o jazz contemporâneo.
Fiquem com uma (pequenina) ideia:



Here's To You Ararat



For The Souls of Those Who Passed







Em Aveiro, ainda vamos poder ver Mahmoud Ahmed (amanhã), Correy Harris e Toumani Diabaté (dia 2) e June Tabor (dia 3). Aqui no Divas a June vai continuar a cantar (coluna da direita) até porque ando a ouvir aleyn, o seu último álbum.

27.6.05

Tom Zé


Proposta de Amor

Quem conhece Estudando Pagode - Segregamulher e Amor pode imaginar o show, o alinhamento, as variações, os urros, as palavras de ordem.

Com um casaco que podia ser Jean Paul Gautier mas que neste cara resultaria sempre numa imagem de sem abrigo, recriando a todo o instante uma encenação de pagode de favela e com muita piada, Tom Zé foi botando discurso contra a exploração das mulheres e das menininhas. Em casa e na rua. Sempre ironizando com a globalização. Intercalando com a defesa da língua portuguesa. E este cara tem talento para ser transparente e sério, rindo e inventando e experimentando muito. Sem nunca perder o ritmo, é claro!

Agradecemos a David Byrne que o relançou quando um prédio de dez andares parecia cobrir seu túmulo.

Foi assim, ontem à noite, no jardim do Palácio de Cristal. Preço: 8 € (menos 12 € que o bilhete para o concerto da Adriana Calcanhotto em Aveiro)


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Tom Zé com a sua Banda e a cantora Luanda.

A digressão europeia continua. Dia 27/06 estarão na Aula Magna, em Lisboa; dia 29/06, em Loulé e a 1/07 na Guarda. Depois de Portugal, será a vez de França, Itália e Suiça assistirem a este show.

Oiçam mais um pouquinho, tão bonita esta Canção de Nora!


25.6.05

ADRIANA PARTIMPIM, O SHOW


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E aconteceu! Adriana Calcanhotto esteve no Cais da Fonte Nova em Aveiro. Para um show intimista, suave, cheio de simpatia, infantil, colorido, imaginoso. Assistiu ao espectáculo um público direitinho, romântico, que não se lembrou de dançar, brincar, entrar na onda. apenas aplaudiu. muito. ok!

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Adriana e Guilherme Kastrup, senhor da percussão, bateria, MPC e tudo o que puder fazer música. A Banda Dé Palmeira, que também assinava a direcção artística, pareceu feita à medida da menina Partimpim. Conta ainda com Marcos Cunha nos teclados, samples, escaleta, flauta, guitarra and so on.

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O cenário foi construido por Hélio Eichbauer. Aqui a mesa do transformismo.

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Meia e noite e dez
descole
mais um digestivo
na ilusão de óptica...
(Programa, in Cantada)

24.6.05

Psst

Deixem-me lá pôr a correspondência em dia:

Dos prazeres da vida

- Recebi uma mensagem com estas palavras: de um residente de Aveiro..., espero que gostes. Fui ver e gostei de ouvir este guitarrista. E vocês?
- Já agora, pessoal de Aveiro, no dia 2 de Julho às 16:00 podem assistir à Audição Final da Oficina da Música. O tema deste ano é Viagem ao Mundo do Cinema. E o Joaquim Pavão vai fazer dois workshops de Guitarra Clássica: dias 7 e 8 para crianças dos 6 aos 12 anos, e dias 11 e 12 de Julho para adultos. Tudo na Oficina da Música.

- Ainda no dia 2 de Julho, agora às 21:30, vai acontecer o lançamento do livro Numa Avenida de Merda de Ivar Corceiro. Façam o favor de passar na livraria Navio de Espelhos. Cheguem cedo, vai ser divertido!
Para quem lá esteve em Fevereiro no Encontro de Bloggers, fica o desejo manifesto de vos voltar a ver!

- Lançamentos de livros! É já amanhã, dia 25, às 18:00, na Biblioteca da CM da Amadora, que as poetisas Isabel Fontes (portuguesa) e Malubarni (brasileira) vão lançar Pensamentos de um Diário. Para ficarem com uma ideia sobre as duas leiam o que uma diz da outra, e também espreitem aqui e aqui. E apareçam!

- Logo à noite encontramo-nos no Cais da Fonte Nova para ouvir a Adriana Calcanhoto. (vivam os Concertos e Artes de Rua do Aveiro em Festa! Foram ver o Xarxa Teatre?)

Das obrigações

PS: Conhecem a associação que visa sensibilizar a população para o genocídio de espermatozóides?

E ainda?: Já escolheram o nome para a Agência de Viagens do bin?

1.5.05

InJAZZ


Bernardo Sassetti

Por onde começar? Talvez repetindo os agradecimentos de Sassetti: à CMA, ao Teatro Aveirense e sobretudo a Pedro Santos da ONC - Produções Culturais. Pedro Santos arriscou a iniciativa do InJazz num país onde tudo está centralizado..., houve um problema de público... mas por isso mesmo, porque é importante educar para a cultura, para a música, para o Jazz..., há que fazer uma aproximação, assim, em 6 cidades do país...

E depois, hoje. Não houve um problema com o público. A sala estava cheia. Bernardo Sassetti encheu a sala. E Mário Delgado, é claro.

Mas eu só ouvi o Sassetti. São coisas que não se devem contar. Mas foi tão bom, tão bom, ouvi-lo durante cerca de uma hora e meia, gostei tanto tanto daquele som que saiu de dentro do piano domesticado, que não quis ouvir mais nada. Quis manter a memória daquelas melodias intacta, sem interferências. Saí no intervalo e passei o bilhete a um amigo que assim pôde assistir à segunda parte do espectáculo com os Filactera Redux de Mário Delgado.

Sasseti tocou peças de Indigo (álbum lançado em finais de 2004) e mais umas tantas improvisações precisas - ele tem a certeza das notas que toca - que se inspiraram em John Coltrane, John Lennon e até José Afonso (belíssima a "revisitação criativa" das melodias do Zeca Afonso, desta vez sem Mário Laginha).

Os encores foram muitos, o pianista acedeu sempre, ofereceu inéditos (a banda sonora de um filme, mais uma) e bónus ao público.

Conhecerão o estilo. Intimista, emotivo, louco, contido, melódico. Virtuoso é claro, e mágico. Às vezes tinha a impressão de sonatas a quatro mãos, orquestra e coro. Mas era só ele, Bernardo Sassetti a solo.

Ahhhhhhhh, que bom que foi!

24.3.05

The living road


Lhasa de Sela

No início, somos muito pequeninos e por isso temos a impressão de que o espaço à nossa volta é amplo e de que todos os movimentos são possíveis. Aos poucos vamos crescendo, e então o nosso corpo começa a tocar as paredes e as mãos começam a empurrá-las, mas ainda nos sentimos felizes. Até que chega o dia em que não suportamos mais estar fechados ali, sentimo-nos condicionados e, às vezes, quase asfixiamos. De forma mágica, esse mesmo espaço começa a expulsar-nos de forma violenta. Ficamos aterrados e pensamos que vamos morrer. Mas afinal, nascemos!

Com palavras diferentes, quase soletradas em português, esta história. Contada pela Lhasa de Cela no espectáculo fantástico a que pude assistir há poucos meses. Já conhecia a música e a voz dela, mas nesse dia fiquei rendida a Tudo. até o silêncio entre duas canções me pareceu necessário.

Con toda a palavra, amigos! E vejam aqui o último álbum.