Mostrar mensagens com a etiqueta Espectáculo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Espectáculo. Mostrar todas as mensagens

24.5.12

Laurie Anderson em Aveiro


O espetáculo tem como mote Another Day in America, "histórias de Laurie Anderson sobre a vida na América contemporânea". O concerto reunirá violino elétrico, teclas e eletrónica. "Peças de violino a solo tais como Flow from Homeland serão misturadas com sonoridades eletrónicas, de forma a introduzir uma visão íntima no estilo da escrita de canções".

Oh yes!

13.5.12

O Mistério de Teresa Salgueiro

I. Explicar às minhas filhas quem é a Teresa Salgueiro. Se é fadista? - não. É tipo a vocalista dos Deolinda? - não. Canta o quê? - Música portuguesa. (Vá, definam o estilo dos Madredeus a duas miúdas de 12 anos, não esquecendo de as motivar para o espectáculo que vão ver a seguir. Ah, elas gostam da Adele, mas também da Rhianna!). Ela canta MUITO bem, fez parte dos Madredeus - podem ouvir todos os CDs - e esse grupo teve imenso sucesso em todo o mundo, até no Japão! No Japão? - sim. E depois de vários anos a trabalhar juntos, decidiram separar-se. Desde há algum tempo, a Teresa Salgueiro tem projectos a solo.
Desconfiadas, foram ver o espectáculo. Primeira impressão: a sala está cheia de pessoas mais velhas, mesmo mais velhas do que eu! É um facto! E não percebo, juro que não percebo. Então agora os fãs dos Madredeus esqueceram ou rejeitam a vocalista! As músicas afinal eram tristes ou chatas, arrastavam-se qual filme de Manoel de Oliveira! Não percebo. A sala está cheia mas não há malta de 20/30 anos e a minha faixa etária também está mal representada. As miúdas têm razão: é só cabelos brancos!

Começa o espectáculo, ouve-se a primeira canção do novo álbum, "O Mistério". E só vos digo: a Teresa Salgueiro e a sua banda exige muito respeitinho. As minhas filhas perceberam o que é cantar irrepreensivelmente bem. Elas sabem, a voz que vem da garganta, o fôlego imenso, e parecer tão simples. E a presença em palco. Sempre contida, é certo. Mas a classe, senhores, a classe. Finalmente (mas não menos importante nestas idades), ela é bonita.


II. Agora eu. Não sei porquê, mas entro no Teatro e penso no Bernardo Sassetti. Vi-o tocar naquela sala. Mas não é isso. É ele todo, o músico e o homem. É a minha geração. Espero que a Teresa Salgueiro lhe dedique uma canção. Espero. Não sei porquê, parece-me bem. Ela não me fez a vontade, apesar de ter falado bastante sobre O Mistério. Há lá maior mistério que a morte! A verdade é que as canções são muito bonitas e a qualidade musical da banda, dos arranjos, a perfomance, é notável. Comovo-me às vezes. Continuo a pensar no Sassetti, enquanto sussuro beijos e pequenas atenções no ouvido das filhas. "Já viram que o contrabaixo está cortado?", "Ela parece uma odalisca, quando abre os braços e ondula as ancas!",....
As filhas vão-se enroscando à medida que as canções se sucedem. Mas não há canções de embalar. O ritmo é forte, o timbre poderoso, o silêncio desperta, há variações que nos fazem querer rodar na cadeira. Há espanto. Estava a ouvi-la e a vê-la e dei comigo a pensar nas minhas divas da América Latina, a postura séria, a voz que encarna uma causa. Teresa Salgueiro defende o conceito do mistério da vida, dos mistérios, fonte da nossa fragilidade e da nossa força. E a necessidade de manter a integridade do ser. Os cabelos compridos da Mercedes Sosa, da Lilla Downs. Um misticismo que-não-é-assim-tão discreto. Mas também ouço e vejo as minhas divas africanas e árabes, Magida El Roumi, Natasha Atlas, Fairouz, Om Lalthoumem. São algumas variações, a tónica musical, a contenção, os temas: a ausência do amado (ela poderia dizer habibi, em vez de meu amado, meu amor), os quatro elementos (a luz da manhã, a terra seca, o firmamento, oásis..., palavras que fixo). Há uma fusão de influências. O acordeão (Carisa Marcelino), a bateria e percussão (Rui Lobato), o contrabaixo (Óscar Daniel Torres) e a guitarra (André Filipe Santos) levam-nos numa viagem. Ouvimos tangos, ritmos tribais, danças do véu, trovas de ventos que passam e vão ficando, fados, toques jazzy, eu sei lá! Mas respiramos bem porque é tudo confusamente simples e harmonioso.
A alegria. Falta falar da alegria que vai crescendo. Eu acho que poderia ser maior ainda se os poemas tivessem sido renovados. Na obra da Teresa Salgueiro, ou neste álbum, isso não aconteceu. Comprei o CD e confirmo a impressão de que a escrita deve ter sido colectiva (como foi colectiva a composição musical). Os poemas não têm autor designado. A artista evoluiu, musicalmente surpreende. Mas as palavras, mesmo que inseridas noutras frases, são as mesmas. «Nas ondas do mar/na luz serena da chuva/eu sei. Aguardo as palavras/suspensas no silêncio/e vou». É belo mas é Madredeus e, naquela mesma voz, o verso belo parece gasto. Foi assim comigo.
De resto, só queria que ela tivesse feito uma pausa no seu imenso profissionalismo, no seu esquema impecável, e dissesse Bernardo Sassetti, o músico velado àquela mesma hora. É a nossa geração, Teresa Salgueiro.

9.4.12

Não se deitam comigo corações obedientes

A Naifa, hoje, no Centro Cultural de Ílhavo.

Foi bom vê-los pela terceira vez ao vivo, agora sem o João Aguardela, mas ainda com a memória dele tão presente. A Sandra Baptista é o novo elemento da banda e é simplesmente a mulher mais bonita que já vi a tocar baixo. A Mitó (voz), o Luis Varatojo (guitarra portuesa) e o Samuel Palitos (bateria) estão como esperávamos, cada vez mais próximos, cada vez mais simples. O Centro Cultural de Ílhavo estava com a casa meia cheia (não se sentiu a parte meia vazia)(mas, pela conversa após o espectáculo, nos bastidores, não havia muita gente da terra___ ou havia muita gente que não era de Ílhavo)(a verdade apanha-se com mentiras ou entre muitas tentativas para contar uma mesma estória). O novo álbum tem um título poético e revelador, afirma uma atitude, que eu diria ser a d' A Naifa: "Não se deitam comigo corações obedientes". Como em todos os álbuns anteriores, há um enorme cuidado com as letras das canções; desta vez, todos os temas têm a autoria de poetisas portuguesas. Se gostarem de Margarida Vale de Gato ou de Adília Lopes, podem (re)encontrá-las. e Maria do Rosário Pedreira, Ana Paula Inácio e Renata Correia Botelho. Enfim, «não há mais mundos, este chega e sobeja/ o fruto proibido era a cereja...».


12.5.09

Rui Reininho & Companhia das Índias

Dia 12 Maio - 21H30 - Teatro Aveirense

Podia ser um filme, este disco. Mas difícil seria arrumá-lo num género: tem drama e comédia, tem acção e aventura, tem diálogos de primeira água, tem uma luz para cada cena, ora natural e crua, ora carregada de filtros e neons. Tem, às vezes, um ambiente de “film-noir”. E até consegue ter pedaços generosos de “biopic”, ou não fosse centrado na vida, nos impulsos e nas ideias do “actor principal”. Mas, se preferirem, vejam-no como um espectáculo de circo: os malabarismos são mais do que muitos, as forças combinadas são poderosas, há contorcionismo e feras à solta, à espera de um domador, há tempo para o trapézio voador, há – evidentemente – um intrincado número de magia. Só não há palhaços.

João Gobern

1.5.09

Balada de Outono em Maio



Em 29 de Janeiro de 1983 realiza-se o espectáculo no Coliseu com José Afonso já doente. Participam Octávio Sérgio, António Sérgio, Lopes de Almeida, Durval Moreirinhas, Rui Pato, Fausto, Júlio Pereira, Guilherme Inês, Rui Castro, Rui Júnior, Sérgio Mestre e Janita Salomé. Mais tarde foi publicado o duplo álbum Ao Vivo no Coliseu. A contribuir para os aplausos, muito emocionada, estava eu. Era uma garina. Quase que me custa ver este vídeo. A minha forma de celebrar o 1 de Maio. e sim, também me lembro do primeiro 1 de Maio que se celebrou depois do 25 de Abril. às cavalitas do meu pai, na Av. dos Aliados no Porto. Nunca tinha visto tanta gente!

15.9.08

Al Di Meola

De vez enquando, muito de vez enquando, a cidade recebe um mito vivo. Aconteceu ontem, no TA. Al Di Meola veio apresentar o seu último ábum, LA MELODIA - Live In Milano, com uma banda fabulosa. É um quarteto: Meola e o italiano Peo Alfonsi em guitarra acústica; outro italiano, Fausto Beccalossi, acordeão e voz; e Gumbi Ortiz na percussão. Soube bem. Soube mesmo bem.

Foto MRF
Ago 2008

2.6.08

Adriana Calcanhotto

O concerto da Adriana Calcanhotto esteve agendado para dia 23 de Maio neste palco, em plena Praça Marquês de Pombal. O mau tempo fez com que o espectáculo fosse adiado e se optasse antes pelo Teatro Aveirense. Mas eu teria gostado de ver se o sinal do Parque de Estacionamento se ia manter a meio do palco (a entrada para o Parque é que não ia sair dali!). Talvez a Adriana achasse graça, ela que leva tão a sério o cenário em que se move...
O concerto aconteceu ontem num palco vestido a preceito, mesmo com a cantora em baixo de forma devido a uma constipação ou devido aos medicamentos que tomou para curar a doença, ela não sabia. Não deixou de ser muito agradável ouvi-la. Adriana Calcanhoto é absolutamente profissional. Os arranjos das canções são tricotados por mãos e ouvidos sábios. Confesso que o meu coração não bate muito forte quando a ouço. Ela é sempre Partimpim, mágica, embala, mesmo se ande agora em onda de maré. «Irado emaranhado verde azul será ondulado». mas não me sacode. Enfim, talvez ela nem queira. Adriana parece transparente, quase celestial. Do palco solta-se uma música que apazigua.



[Estas são fotos tiradas sem flash, irritantemente proibidas no TA, mesmo se o show, inicialmente, estava previsto acontecer num espaço aberto!]

31.5.08

Uma inocente inclinação para o (ani)mal II


A Maria Antónia Mendes tem «um feitio de rainha» e desta vez não houve «teatro inútil» nem razoável sucesso. queimaram tudo. Os quatro têm mesmo jeito e, se hesitei, foi entre querer ser cantora, baterista ou guitarrista. No início, porque queria revirar-me na cadeira e bater o ritmo, invejei o Paulo Martins. Oh, ele é mesmo muito bom! A filha pequena disse: não é normal, por que não queres ser a cantora? Ela queria. De fado, como a Mitó, que canta com (ainda) mais alma do que há dois anos. (Mas isso leva-me ao Luís Varatojo. quando for grande, vou tocar assim). Mas também pop, com arranjos arranhados de vitrola, bons. O João Aguardela a dar o tom, soft. «O ferro de engomar fora do descanso», ah, eu vi um bom espectáculo. Os poemas da Maria Rodrigues Teixeira, que A Naifa revelou, li. são inocentes inclinações para depressões que animam. pode lá ser! por exemplo, «filha de duas mães, adoro vesti-las de igual». num universo de casa de mariquinhas com estante cheia de «pequenos romances da colecção coração de ouro». ou outros poemas de álbuns anteriores. ou outras canções de bandas e cançonetistas mor. a desfolhada que foi da Simone e ontem da Mitó foi bisada do último espectáculo. ninguém resiste. Mas que dizer do furto magnífico aos Três Tristes Tigres: «quero ser amada só por mim e não por andar enfeitada ser adorada mesmo assim careca, nua, descarnada engano de alma ledo e cego ó linda inês posta em sossego imortal diz adeus»! Arrebatador. Letra e Música.
E as luzes: pareciam pirilampos, espectros, teatros de sombras que aconchegavam a caixa de onde saiam os sons. Comparando com o que vi há dois anos, o espectáculo cresceu na maestria da produção. cresceu com A Naifa. Os anos passam, pois. E que bom, nota-se. A voz da Mitó deixou-nos o «corpo exangue». A encenação da «partilha da miséria» foi forte como o sangue. Sacudam o «ar cansado dos (vossos) vestidos», «consertem a figurinha», e saiam de casa à procura deles. Esta digressão está quase a terminar - depois do Teatro Aveirense, encerra hoje no Theatro Circo, em Braga - mas outras haverá, para além dos registos de todas as inocentes inclinações para o mal.

30.5.08

Rock in Rio




Começa hoje e começa bem: com Amy Winehouse, Lenny Kravitz, Ivete Sangalo e Paulo Gonzo. Vejam aqui o programa.

(schuiff, juro que me dói perder esta oportunidade de "ouver" Amy Winehouse ao vivo).

2.11.07

Rui Pedro - Andarilho

PANO CRU


BEBIANA


MALA REPUTATION



Rui Pedro fez a primeira parte do concerto de Lloyd Cole, em Aveiro.

Lloyd Cold

Ele cantou Jennifer She Said, mas senti falta dos Commotions. Ou seja, Lloyd Cole é exímio mas depois da quinta canção já sentimos um certo enfado (acho que usei uma palavra muito forte; vamos antes dizer, sonolência)(esqueçam, eu gostei)(há nele uma tal bonomia!)(preferia beber uns copos com ele, podia ser a Super Bock que tanto aprecia, e que ele fosse entrecortando a conversa com uma, duas canções)(o rapaz do vídeo de baixo pode continuar no vídeo)(o Lloyd Cole de hoje, com as duas guitarras, que ele próprio afina - o luxo do afinador profissional acabou há algum tempo - parece bem consigo mesmo)(cada vez menos popular, diz)(isso é o menos)(mas exige-se menos reserva num espectáculo intimista)(e variações de ritmo!)(a sério, fiquei com mais vontade. mais vontade de conversar do que de o ouvir cantar)(merda, mas ele é mesmo bom músico)(vão vê-lo e decidam, que eu não consigo desatar isto)

1.11.07

Lloyd Cole


Don't Look Back

O concerto é logo, logo, às 21:30h no Aveirense.

30.10.07

Ópera Três Vinténs

Ópera "Três Vinténs" de Kurt Weil

Orquestra Sinfonieta da Esmae. Direcção Musical - António Saiote.
Encenação - Marcos Barbosa.
Coro – Estúdio Ópera do Departamento de Comunicação e Artes da Universidade de Aveiro.
Co-produção – Fundação João Jacinto Magalhães e Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.

No Teatro Aveirense, hoje, às 21:30h.



Adenda: Depois desta ópera de Kurt Weil, e tendo já visto Orfeu nos Infernos, não tenho dúvidas de que vou manter-me fiel aos espectáculos da Classe de Canto da Universidade de Aveiro. A encenação de Marcos Barbosa é fiel à intenção original da criação de um novo teatro musical: os conceitos de ópera e de teatro aliam-se com humor e eficácia. A tradução e a integração da mesma (texto) na dinâmica da peça foram decisões inteligentes. Cómica, poética, grotesca, agridoce, cruel, irónica, ontem reconhecemos o espírito Brechtiano. O público aderiu. Culpa nossa, Bertolt Brecht está longe de estar obsoleto.

21.10.07

Espírito Nativo

Jacqueline Mercado é mexicana, Pumacayo Conde é peruano, Rui Meira e Ricardo Gouveia são portugueses. Os quatro sentem passion pela música ibero-americana. Pesquisaram e dominam as outras personagens que entram no espectáculo: a quena, a flauta de pâ, o charango, o quatro venezuelano, o bombo leguero, congas, bongôs, chajchas, o palo de agua, clavas e maracas. Chacareras e zambas argentinas, huayños das comunidades andinas, cúmbias da Colômbia, joropos da Venezuela, rancheras mexicanas, um continente de ritmos e palavras. Ontem ouvi muito mais que este repertório. Estabeleceram pontes. O folclore português e o uruguaio, Victor Jara e Zeca Afonso, por exemplo.
Jacqueline e Rui Meira são ainda dotados de uma voz belíssima, caliente, portentosa. E têm alma.
O grupo chama-se Espírito Nativo (bom site) e pude ouvi-los no Cine Teatro de Estarreja. O público apreciou mas eram poucos os verdadeiros aficionados. A América Latina é um continente em via de descoberta e de reinvenção, mas é preciso navegar, pá. Do outro lado do mar não existe apenas o grande Brasil. O projecto ganha mais sentido por isso mesmo. A multiculturalidade assumida torna-os ímpares.
Atentem aos futuros concertos, procurem-nos. Deixaram-me uma fotografia de um espectáculo no Palácio Foz com os contactos escritos:
Tel: 966 555 809/966 497 225
espiritonativo@espiritonativo.com

Eu gostaria de os ouver mais por aí.

3.9.07

Primeiro dia

Em direcção ao Norte, parar aqui para ouvi-lo cantar o que nunca se esqueceu. A voz e as palavras, com célticos e lusos re-arranjos. Tão bom!



Sérgio Godinho esteve ontem na Feira da Luz em Montemor-O-Novo.



Hoje será a vez de Pedro Abrunhosa. Numa festa onde há um pouco de tudo: concursos de mel e desporto aventura, concurso de ovinos merino preto precoce ou de bovinos de raça charolesa e torneios de malha, concursos de rafeiros do Alentejo e concursos de pesca à linha, hipismo (nunca vi tantos puros lusitanos juntos!) e cicloturismo, largadas de touros e novilhadas, teatro e exposições ("em Lino gravura sobre a história “A Maior Flor do Mundo” – de José Saramago"; "brinquedos que atravessam o tempo"), oficina de crianças, carrósseis, insufláveis, tiro ao alvo, algodão doce, e uma feira de agrícola (gado, tractores, manjedouras...) e de artesanato. Mas isto não é tudo..., comem-se as melhores costeletas do mundo no restaurante Importante!

Depois do ameno Allgarve, soube bem este banho de lusas tradições!

10.7.07

Se houvesse uma canção brasileira



...que se pudesse transformar num fado e unisse os dois lados do Atlântico, ela seria Fascinação, segundo Mariza e Jacques Morelenbaum. e os dois músicos pegaram nessa canção e convenceram-nos.

Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar
Tonto de emoção
Com sofreguidão
Mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria, entontece
És fascinação, amor
Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar
Tonto de emoção
Com sofreguidão
Mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria, entontece
És fascinação, amor

(M.Feraudy - Marchetti)




[recordar a versão inesquecível dela, que eu sei que já estão a trautear]

8.7.07

Há uma música do povo



Há uma música do povo,
Nem sei dizer se é um fado
Que ouvindo-a há um ritmo novo
No ser que tenho guardado...
Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser...
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver...

E ouço-a embalado e sozinho...
É isso mesmo que eu quis ...
Perdi a fé e o caminho...
Quem não fui é que é feliz.

Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção ...
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração ...

Sou uma emoção estrangeira,
Um erro de sonho ido...
Canto de qualquer maneira
E acabo com um sentido!


Poema de Fernando Pessoa


Agora ouçam e chorem...

6.7.07

Chegou a hora!


Tem uma Gilda que faz o diário de bordo das viagens do/com Gilberto Gil:

«Minha gente,

depois de um atraso de 2 horas para sairmos do Rio, chegamos sãos e salvos a nossa terrinha. Primeiro ao Aeroporto do Porto (Sá Carneiro) e de lá, de carro até aqui, nosso primeiro pouso, Aveiro (1 hora de carro).

O Aeroporto do Porto tem uma curiosidade que nunca vi em nenhum outro aeroporto do mundo: nos corredores por onde se desembarca, tem escrito no chão nomes de cidades (vi Rio de Janeiro, Caracas e Nova York) com um pequeno texto de algum escritor famoso referente a tal cidade.

Outra coisa bem portuguesa: os Aeroportos de Portugal possuem uma sigla ANA e eu uma vez chamei uma funcionária que nos acompanhava pra retirarmos a bagagem de Ana pois vi na blusa dela um broche com essas letras. E ela me disse que se chamava Manuela e que Ana queria dizer Aeroporto de Navegação Aérea. Inacreditável, pois Aeroporto já quer dizer todo o resto.

Deixei Gil no Hotel (simples e confortável) e saí com a banda e equipe mais a dupla Crocas + Daniela que, se Deus quiser, farão a minha iniciação ao mundo virtual!!! Compramos um drive para que eu possa baixar as fotos da minha máquina fotográfica e tb uma câmera, pois assim poderei escrever e vocês verão minha carinha fofa!!!

Almoçamos na Universidade daqui que é grande e parece muito boa. Já falei tb por telefone com Ana Maria, minha prima que mora aqui há anos, casada com um português (ela é filha de tio Ewald, irmão mais novo de minha mãe) e tem 4 filhas. Um dos rapazes da produção local, Nuno, é amigo de uma delas, Melina que é engenheira e trabalha com reciclagem e conservação do meio ambiente.

Agora são 18.30 hs e está bem fresquinho. Vou chamar Gil pois vamos ensaiar com Marisa, fadista jovem daqui com a orquestra de cordas da Beira sob a regência de nosso querido Jaques Morelenbaum. Esse show em Aveiro é o único da turnê que não é o Banda Larga....»


Pois é minha gente, mais logo, Gilberto, Mariza (com "z", Gilda), a Orquestra Filarmonia das Beiras e o maestro Jacques Morelenbaum vão actuar no Estádio do Beira-Mar para um primeiro grande concerto nesse espaço maravilhoso que tem lotação para 30000 pessoas e que nunca encheu, mas que o município vai pagar nos próximos dez anos, esquecendo outros projectos, é claro, mas o estádio é grandioso, como foi o revés eleitoral nas últimas autárquicas, em que Alberto Souto (PS) perdeu a Câmara para uma coligação PSD-CDS, glups, dirão que foi merecido, pois até seria se a nova presidência não fosse pior que o Beira-Mar, o clube em que ninguém se entende e que acaba de baixar de divisão, mas isso também não interessa nada, e Deus escreve certo por linhas tortas, vamos ter concerto e que concerto! Já o des-conserto no município, grande, grande, é que não sei como é que vai acabar em coisa certa! Mesmo se grandes concertos possam garantir mais uns votos...