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2.6.08

Adriana Calcanhotto

O concerto da Adriana Calcanhotto esteve agendado para dia 23 de Maio neste palco, em plena Praça Marquês de Pombal. O mau tempo fez com que o espectáculo fosse adiado e se optasse antes pelo Teatro Aveirense. Mas eu teria gostado de ver se o sinal do Parque de Estacionamento se ia manter a meio do palco (a entrada para o Parque é que não ia sair dali!). Talvez a Adriana achasse graça, ela que leva tão a sério o cenário em que se move...
O concerto aconteceu ontem num palco vestido a preceito, mesmo com a cantora em baixo de forma devido a uma constipação ou devido aos medicamentos que tomou para curar a doença, ela não sabia. Não deixou de ser muito agradável ouvi-la. Adriana Calcanhoto é absolutamente profissional. Os arranjos das canções são tricotados por mãos e ouvidos sábios. Confesso que o meu coração não bate muito forte quando a ouço. Ela é sempre Partimpim, mágica, embala, mesmo se ande agora em onda de maré. «Irado emaranhado verde azul será ondulado». mas não me sacode. Enfim, talvez ela nem queira. Adriana parece transparente, quase celestial. Do palco solta-se uma música que apazigua.



[Estas são fotos tiradas sem flash, irritantemente proibidas no TA, mesmo se o show, inicialmente, estava previsto acontecer num espaço aberto!]

30.4.08

Piano voador enamorado de uma voz. para a Lúcia



_____ Piano suspenso, notas suspensas, seguras. arrebatador. Chove uma canção chamada Beatriz. ensemble (Edu Lobo/Chico Buarque)(Mário Laginha/Maria João). Tinha que fazer a oferenda: à Lúcia, pois.


________________________

já agora:

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Pra sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida

Aquele Abraço



Para ela. Por tudo e isto.

18.6.07

BS #5 Bocochê

Elis Regina no Fino da Bossa ao vivo (gravações dos anos 65, 66 e 67)
- Download dos 3 álbuns aqui.


A TV Record, interessada em catalizar toda a movimentação à volta da música popular brasileira, resolveu fazer um programa, O Fino da Bossa, convidando Elis Regina e Jair para apresentadores. Gravavam ao vivo, nos dois teatros da TV Record, o Consolação e o Record Centro. Com a sua política de convidar novos e antigos, O Fino da Bossa mostrou a obra e, pela primeira vez, o rosto, da constelação de astros que estava à frente da música brasileira. Elis, então em início de carreira, apenas com 20 anos, mostrou que também podia comandar um show de televisão daquela envergadura. O programa de estreia foi gravado a 17 de Maio de 1965 e pode ser escutado no volume 1.

Para todos, havia já o pressentimento de que algo histórico estava a acontecer. Zuza Homem de Melo, responsável pela sonoplastia dos programas, fala da febre de compôr que se vivia na época, "instigada ainda pelas reinvindicações da classe artística, consequência da situação política vivida pelo Brasil pós 64". O tema do genérico era um trecho instrumental de
Terra de Ninguém: "Quem trabalha é que tem/Direito de Viver/Pois a terra é de ninguém".

Surgiam novas músicas semanalmente. O Canto de Ossanha, de Vinicius de Moraes, foi terminado num ensaio. Elis cantava, escolhia o que cantar, e tornava-se assim a porta-voz da classe musical brasileira.

A canção
BOCOCHÊ (Baden Powell - Vinicius de Moraes), da minha banda sonora, pertence ao volume 2 estas gravações originais No Fino Da Bossa.

Menina bonita pra onde "quo´cê" vai
Menina bonita pra onde "quo´cê" vai
Vou procurar o meu lindo amor
No fundo do mar
Vou procurar o meu lindo amor
No fundo do mar

É onda que vai
É onda que vem
É vida que vai
Não volta ninguém

Foi e nunca mais voltou
Nunca mais! Nunca mais!
Triste, triste me deixou

(Nhem, nhem, nhem)
É onda que vai
É onda que vem
(Nhem, nhem, nhem)
É vida que vai
Não volta ninguém
Menina bonita não vá para o mar
Menina bonita não vá para o mar
Vou me casar com meu lindo amor
No fundo do mar
Vou me casar com meu lindo amor
No fundo do mar

(Nhem, nhem, nhem)
É onda que vai
É onda que vem
(Nhem, nhem, nhem)
É a vida que vai
Não volta ninguém
Menina bonita que foi para o mar
Menina bonita que foi para o mar
Dorme, meu bem
Que você também é Iemanjá
Dorme, meu bem
Que você também é Iemanjá
Dorme, meu bem
Que você também é Iemanjá
Dorme, meu bem
Que você também é Iemanjá




Bónus:

ÁGUAS DE MARÇO (ELIS E TOM JOBIM)

PENTE QUE PENTEIA

Elis

Foi por acaso, mas acontece que ela anda por cá, vestida de Lady Macbeth: Marília Gabriela, actriz, cantora, e uma entrevistadora famosíssima no Brasil. Neste vídeo, ela conversa com Elis Regina. Era a estreia do Tv Mulher. Ano:1980. (1ª e 2ª Parte). Menos de dois anos depois, Elis, a Pimentinha, deixaria este mundo. Tinha 36 anos. Faz já 25 anos. Mas esta entrevista ainda me faz chorar. Elis continua a ser uma das minhas divas maiores. E ouçam, espreitem a mulher, que não é sabiá.





A casa da Elis Minha casa
A morte de Elis Regina

12.6.07

Adoniran Barbosa

Saudosa Maloca e Malvina

BS #4 Nhlonge Yamina

MARIA JOÃO e MÁRIO LAGINHA



Na rádio tocou Saudosa Maloca (de Adoniran Barbosa) de Danças. Hesitei com Nhlonge Yamina (do álbum Cor). Ambas têm pele com dança lá dentro.

A minha pele tem dança lá dentro
Um, dois, 500, 7 milhões de poros
abertos para o ar, num mar de movimentos.

É independente da minha vontade
mas depende dos meus caprichos.
Vive sem pintura, gosta mais
de estar nua que vestida.

A minha pele é fruta e legumes,
carne e peixe.
Toda ela se arrepia de prazer,
se contrai dolorida, mergulha na água,
enxuga-se ao sol.

Protege-me dos desgostos e
aconchega-me, esconde os meus segredos,
brilha muito,
confunde-se com as árvores.

A minha pele é mais macia
entre as pernas e é perfumada.
A minha pele é cor de chocolate
com pingos de sol.

23.6.06

Outra forma de festejar o Mundial #4

JAPÃO


Fotos daqui [e leiam a excelente entrevista a Oe]

Um testemunho de vida (manipulado Pró-Vida, mas esqueçamos esse detalhe(se quiserem). do escritor japonês Kenzaburo Oe, Nobel de Literatura de 1994.

Quando Oe vê o recém-nascido, fica profundamente confuso: uma criatura monstruosa, parecendo ter duas cabeças. Metade do cérebro saía do crânio, envolvido em faixas ensangüentadas... Na boca um grito que não conseguia sair.
Oe narra esta dramática experiência, anos mais tarde, no seu romance Uma questão pessoal: "Como Apolinário, o meu filho foi ferido em um campo de batalha escuro e solitário, um campo para mim totalmente desconhecido. E chegou até nós com a cabeça enfaixada. Terei que sepultá-lo como um soldado que morreu na guerra". Mas as coisas tomaram um outro rumo para Oe e a sua família. "As lágrimas fáceis de um funeral prematuro – é sempre Oe que narra – não resolviam a questão. A criança iniciava uma luta feroz e desesperada para viver."(sobre Uma Vida que Renasceu)


BRASIL



Vinicius de Moraes escreveu e Ney Matogrosso cantou um dos mais bonitos poemas sobre as vítimas de Hiroshima: Rosa de Hiroshima.


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada



    Ney Matogrosso - Rosa de Hiroshima

13.6.06

Outra forma de festejar o Mundial #2

BRASIL - CROÁCIA
Nos dois países, vários lançamentos. Vejam o jogo, ouçam os álbuns.

CHICO BUARQUE


SEVERINA
Explorem bem o site: multimedia e downloads. vejam as fotos.

18.10.05

Hermeto Pascoal

Viva Jackson do Pandeiro


Chorinho dedicado à Radio MEC


Vai um Chimarrão

23.7.05

Elis Regina


As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
e a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Poque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
Se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de seesquentar
Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o coberto
As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outroinverno
Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera




27.6.05

Tom Zé


Proposta de Amor

Quem conhece Estudando Pagode - Segregamulher e Amor pode imaginar o show, o alinhamento, as variações, os urros, as palavras de ordem.

Com um casaco que podia ser Jean Paul Gautier mas que neste cara resultaria sempre numa imagem de sem abrigo, recriando a todo o instante uma encenação de pagode de favela e com muita piada, Tom Zé foi botando discurso contra a exploração das mulheres e das menininhas. Em casa e na rua. Sempre ironizando com a globalização. Intercalando com a defesa da língua portuguesa. E este cara tem talento para ser transparente e sério, rindo e inventando e experimentando muito. Sem nunca perder o ritmo, é claro!

Agradecemos a David Byrne que o relançou quando um prédio de dez andares parecia cobrir seu túmulo.

Foi assim, ontem à noite, no jardim do Palácio de Cristal. Preço: 8 € (menos 12 € que o bilhete para o concerto da Adriana Calcanhotto em Aveiro)


MRF

MRF

Tom Zé com a sua Banda e a cantora Luanda.

A digressão europeia continua. Dia 27/06 estarão na Aula Magna, em Lisboa; dia 29/06, em Loulé e a 1/07 na Guarda. Depois de Portugal, será a vez de França, Itália e Suiça assistirem a este show.

Oiçam mais um pouquinho, tão bonita esta Canção de Nora!


6.5.05

Viajar

Acontece que vieste e sussurraste-me ao ouvido.
Ivar Corceiro
Numa Avenida de Merda


Da Lata cantam Alice no país da malandragem

Do álbum Serious

5.5.05

De tão leve

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Não digo que mentisse: pelo que sei, afirmações do género tanto podiam ser falsas como verdadeiras. Estava provado que de vez em quando passávamos ao largo de um universo (ou que um universo passava ao largo em relação a nós). Italo Calvino, Cosmicómicas


Hay-Kay _____de tão leve pisa sem marcar a pele


O que eu espero_____desconfie de mim em seu olhar não acredite se eu lhe digo não
Canta Nancy Galvão
Às vezes apetece esta insegura e doce leveza.

Um dia

Esse lugar onde não há mentira
É para lá que eu vou
Esse lugar que a lua ilumina
com essa luz que fascina
É para lá que eu vou
Esquecer o barulho
Respirando o ar puro
que sai da flôr
Há gente tão linda...


Canta a paulista Nancy Galvão