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2.6.06

Borges & Piazzolla


Esta canção tirei-a de um do meus álguns de eleição, BORGES & PIAZZOLLA - Tangos & Milongas, com direcção musical de Daniel Binelli e voz de Jairo.

A milonga Jacinto Chiclana é um tema simples, simples porque obedece ao espírito dos temas de Jorge Luis Borges. É uma milonga guitarrera, ou seja, o tipo de milonga improvisada. O encontro entre Borges e Astor Piazzolla foi mágico e inevitável. Desse conhecimento nasceu uma obra que é uma espécie de herança dos dois génios argentinos ao mundo.

(E se algum dia encontrar o dono desta voz, fujo com ele! :))



Me acuerdo. Fue en Balvanera,
En una noche lejana
Que alguien dejó caer el nombre
De un tal Jacinto Chiclana.

Algo se dijo también
De una esquina y de un cuchillo;
Los años nos dejan ver
El entrevero y el brillo.

Quién sabe por qué razón
Me anda buscando ese nombre;
Me gustaría saber
Cómo habrá sido aquel hombre.

Alto lo veo y cabal,
Con el alma comedida,
Capaz de no alzar la voz
Y de jugarse la vida.

Nadie con paso más firme
Habrá pisado la tierra;
Nadie habrá habido como él
En el amor y en la guerra.

Sobre la huerta y el patio
Las torres de Balvanera
Y aquella muerte casual
En una esquina cualquiera.

No veo los rasgos. Veo,
Bajo el farol amarillo,
El choque de hombres o sombras
Y esa víbora, el cuchillo.

Acaso en aquel momento
En que le entraba la herida,
Pensó que a un varón le cuadra
No demorar la partida.

Sólo Dios puede saber
La laya fiel de aquel hombre;
Señores, yo estoy cantando
Lo que se cifra en el nombre.

Entre las cosas hay una
De la que no se arrepiente
Nadie en la tierra. Esa cosa
Es haber sido valiente.

Siempre el coraje es mejor,
La esperanza nunca es vana,
Vaya pues esta milonga
Para Jacinto Chiclana.

22.12.05

Gardel


Carlos Gardel é o mais famoso cantor e autor de tangos do mundo. Gardel é a lenda do tango.

Terá nascido no Uruguai mas cresceu nos bairros humildes de Buenos Aires, com a mãe. O pai era francês. Querido por todas as camadas populares, também foi idolatrado pela classe alta francesa - mas não pela classe alta argentina. Não se conhecem fotos que o mostrem do lado de personalidades ligadas ao poder. Na sua música fala-se de amor, de desgostos, de tristezas mas também de miséria, e isso era incómodo.

Fez o mundo cantar em espanhol: A media luz, Adiós muchachos, Anclao en París, Volver,... Compôs a primeira canção contra o militarismo: o tango Silêncio que muitas décadas depois, durante a guerra Malvinas-Falkland (1982) seria proibido pela ditadura. Participou em vários filmes (mas nunca deixou que lhe alterassem o visual). El dia que me quieras e Tango Bar foram os últimos que protagonizou (gravados entre Janeiro e Março de 1935). Morreu em 24 de Junho de 1935 em Medellin, Colômbia, num acidente de aviação.

Fiquem com este link e se encantem.


Volvió una Noche

16.12.05

Ainda Mariana Avena

Milonga para Santiago de Osvaldo Piro - Eladia Blázquez


El dia que me quieras - Carlos Gardel - Alfredo Le Pera

14.12.05

BALADA PARA UN LOCO, de A.Piazzolla - H.Ferrer

Conhecia esta BALADA PARA UN LOCO na voz de Amelita Baltar. Mas esta é a versão de MARIANA AVENA. Mariana é sobrinha do maestro OSVALDO AVENA, guitarrista e compositor argentino. Actualmente vive no Brasil e foi num dos principais Teatros de S. Paulo que estreou El Exílio de Gardel. Esta canção fazia parte desse espectáculo.

10.12.05

Mercedes Sosa



Não é a primeira vez que evoco esta diva. Agora Mercedes Sosa lançou um novo álbum. Como diz a canção, canta porque tem vida! Ouçam Corazón Libre!


[Aqui podem ouvir uma entrevista dada por ela]

16.11.05

20.1.05

Mulheres da América do Sul, hablando espanhol


Lila Downs

A primeira vez que ouvi Mercedes Sosa ficou para sempre. O mais forte não terá sido então aquele poema Gracias a la Vida nem o som grave e índio que parecia chegar das profundezas da Cordilheira dos Andes. Não, o que me tocou foi o silêncio cheio de lágrimas da Consuelo. Essa amiga dos 20 anos, colombiana, quase exilada, e que tinha uma beleza prima da de Lila Downs. Contava histórias que pareciam vindas dos romances de Gabriel Garcia Márquez, cheias de heróis que sobreviviam a terramotos e a armas e conservavam a pureza. Havia uma de um músico que arriscara várias vezes a vida pelo seu violino. Fiquei assim, observando e respeitando as lágrimas de Consuelo, que pareciam querer dizer "esta é a minha identidade" e estou longe, sinto saudades.
Passaram-se longos meses até esbarrar num álbum de Mercedes Sosa. Pensei que tinha de o levar para casa pela Consuelo. Mas, no meu silêncio, encontrei outras razões para nunca mais deixar de a ouvir. Mercedes conseguiu juntar as melhores influências e os melhores letristas-compositores daquele continente (Nicolas Brizuela, Victor Herédia, Silvio Rodrigues, Milton Nascimento, Chico Buarque, entre tantos outros). Um dos meus sonhos é ouvi-la ao vivo um dia. Quando passou por Portugal - deu um concerto na Aula Magna, eu vivia em França. Lembro-me de que nessa ocasião foi ao programa do Herman José. Eu via os canais portugueses e quis bater em alguém. Ele não conhecia a grandeza da diva, deu-lhe 5 minutos de emissão. À Amália Rodrigues de todo o continente sul americano.
Através de Mercedes Soza (argentina) cheguei a outras vozes e a outros músicos. Mas hoje só vou falar das mulheres. Violeta Parra (chilena), que compôs aquele Gracias a la Vida é um mito. Os temas populares e os problemas sociais são uma constante na sua música, e a imagem que temos dela bebe muito da sua forte militância política. Mas Violeta Parra é uma artista. e é raíz. é emoção. são todas as dimensões.
Em direcção ao Norte, damos um salto a Cuba para evocarmos Celina González. Chegamos ao México e à musa de Frida Kahlo, Chavela Vargas. É preciso ouvi-la cantar La Llorona. Almodovar foi buscar Luz de Luna e rendeu-se à sua personalidade forte. Chavela, que morreu recentemente com mais de 80 anos, deixou uma herdeira. Ela está ali, chama-se Lila Downs. Talvez a tenham visto e ouvido no filme Frida, de Julie Taylor.
Todas juntas numa mesma passion musical e política. Hijas de America Latina. Sangre caliente. Cantando la vida.